Coronavírus

Internacional Analisar esgoto ajuda a prever surtos de covid-19, diz projeto

Analisar esgoto ajuda a prever surtos de covid-19, diz projeto

Programa do governo britânico indica que analisar amostras de esgoto pode ajudar a prever surtos em áreas onde os cidadãos não apresentam sintomas

  • Internacional | da EFE

Projeto monitora os esgotos de mais de 90 locais no Reino Unido

Projeto monitora os esgotos de mais de 90 locais no Reino Unido

Matthias Rietschel/Reuters - 16.10.2020

Analisar de forma constante amostras de esgoto pode ajudar a prever surtos de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em áreas onde os cidadãos não apresentam sintomas, de acordo com as descobertas de um programa liderado pelo governo britânico.

O projeto, que detecta traços do vírus no esgoto, tem conseguido identificar surtos, emitir alertas e compartilhar informações com o sistema implantado pelo serviço público de saúde do Reino Unido (NHS), informou nesta sexta-feira (23) o Ministério do Meio Ambiente.

Anunciado em junho deste ano, o programa já demonstrou que fragmentos de material genético do vírus podem ser encontrados em águas residuais, o que torna possível saber se uma comunidade local ou uma instituição estão diante de uma redução do número de casos de covid-19, além de dar aos profissionais de saúde uma visão mais clara dos índices de infecção, principalmente no que diz respeito a portadores assintomáticos do Sars-CoV-2 ou em fase anterior à manifestação de sintomas.

Além disso, as autoridades locais podem se basear nessas conclusões para adotar medidas para conter a propagação do vírus. O projeto já funcionou em uma área do sudoeste da Inglaterra, onde uma amostra de esgoto mostrou que havia um aumento de material genético do vírus, apesar do número relativamente baixo de pessoas solicitando testes para a detecção do novo coronavírus.  Nesse caso, a informação foi repassada à rede pública de saúde e à Câmara Municipal, que puderam alertar os cidadãos e os profissionais que trabalham em hospitais.

Até o momento, o projeto experimental, que deverá ser expandido no futuro, monitora os esgotos de mais de 90 locais no Reino Unido, o que abarca cerca de 22% da população da Inglaterra. A Agência Ambiental e o Joint Biosafety Centre (JBC) também colaboram com o programa e lideram um grupo nacional com o objetivo de assegurar a coordenação entre os governos da Escócia e do País de Gales com projetos acadêmicos.

Em comunicado, o ministro do Meio Ambiente britânico, George Eustice, enfatizou que o programa se trata de um "avanço significativo" por fornecer ao governo "uma ideia mais clara das taxas de infecção tanto em nível nacional como local, especialmente em áreas onde pode haver um grande número de pessoas que não apresentam sintomas e, portanto, não estão sendo testadas".

Ainda segundo Eustice, o sistema de detecção e rastreamento de covid-19 do NHS permite que "a ciência seja usada para garantir que as autoridades locais sejam alertadas e possam agir". O ministro da Saúde, Matt Hancock, por sua vez, afirmou que "monitorar e testar águas residuais oferece outra ferramenta para ajudar a identificar epidemias precocemente".

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