Novo Coronavírus

Internacional Após pandemia, 'vida normal' vai demorar a voltar, diz pesquisadora

Após pandemia, 'vida normal' vai demorar a voltar, diz pesquisadora

Especialista em epidemias afirma que será preciso 'longo tempo de adaptação' depois que quarentenas máximas puderem ser levantadas

Chileno isolado em prédio: 'Será uma quarentena intelectual difícil', diz especialista

Chileno isolado em prédio: 'Será uma quarentena intelectual difícil', diz especialista

Rodrigo Garrido / Reuters - 9.4.2020

Será "muito difícil" retomar a vida cotidiana como antes da pandemia de coronavírus, alerta a cientista espanhola Pilar Mateo, especialista no combate à doença de Chagas e à dengue. O motivo: o mundio ainda levará tempo para voltar à atividade normal.

Em declarações à agência de notícias Efe, Pilar defendeu a criação de equipes multidisciplinares de vigilância para prevenir novas crises de saúde como esta, que pune especialmente a Espanha, o segundo país do mundo com os casos mais confirmados, com quase 160 mil diagnósticos positivos.

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"Será difícil sair da quarentena porque precisaremos de tempo para recuperar nosso nível normal de atividade. Será um tipo de quarentena intelectual difícil de entender", diz a pesquisadora e doutora em Química.

Quando o confinamento obrigatório da população nos diferentes países terminar, será necessário um "longo tempo de adaptação", ressalta Pilar. Fazer compras, sair com amigos, assistir a shows públicos, sair de férias ou celebrar festas será algo a ser feito gradualmente.

"Mudamos a filosofia do existencialismo ocidental — existimos em função do que fazemos — para o silêncio do taoísmo chinês — contemplar e pensar", resume

O coronavírus 'veio para ficar'

A especialista avalia que o coronavírus "veio para ficar no planeta". Isso significa que, até que uma vacina seja obtida para nos proteger, "o risco de contágio estará presente a qualquer momento em nossa vida social".

O potencial de contágio do novo coronavírus, ela explica, foi o que fez os sistemas nacionais de saúde entrarem em colapso. Agora, Pilar considera que os países ocidentais vão perceber o que ela vem dizendo há mais de 20 anos por ter vivido sempre muito perto de epidemias: "Equipes de prevenção e vigilância são importantes."

Segundo a especialista, que vive na Espanha, "a sorte" de seu país é ter profissionais de saúde "com uma capacidade de reação brutal e corajosos para dizer 'nós fazemos isso sem ter os meios necessários'". "Essa é a coisa mais importante", declara.

Ocidente sempre tratou epidemias como algo distante

A cientista explica que, a cada ano, entre 4 e 5 vírus surgem e circulam pelo planeta, dos quais três são zoonoses, ou seja, que podem ser transmitidos de animais para humanos. Entre eles, está o novo coronavírus.

"Nós, europeus, sempre os víamos à distância porque eram produzidos na África, América ou Ásia", diz Pilar. Tratando estes assuntos como se fossem sempre "tão longe", a pandemia de covid-19 escancaraou a "falta de prevenção" em saúde nos países ocidentais. "Pensamos que as coisas nunca aconteceriam conosco", diz a cientista europeia.

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