Internacional Argentina prorroga restrições pela covid, mas reduz em Buenos Aires

Argentina prorroga restrições pela covid, mas reduz em Buenos Aires

As novas medidas incluem a gradual reabertura econômica de Buenos Aires dentro do "novo normal" e o fechamento em províncias do país

  • Internacional | Da EFE

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Presidencia Argentina - EFE 14.08.2020

Com mais de 1 milhão de casos de covid-19 desde o início da pandemia e quase 29 mil mortes, a Argentina prorrogou nesta segunda-feira (26) novamente as medidas para conter a propagação do novo coronavírus.

Elas oscilam entre a gradual reabertura econômica de Buenos Aires dentro do "novo normal" e a delicada situação de alguma províncias do país.

Meses atrás, a cidade de Buenos Aires e sua populosa região metropolitana, as áreas mais populosas e motores da economia argentina, eram o principal foco de transmissão do vírus, com um número de infecções que representava mais de 90% do total registrado no país.

No entanto, essa tendência se inverteu, e agora províncias como Córdoba e Santa Fé, na região central da Argentina, vivem uma situação preocupante, enquanto a curva de contágios na capital começa a cair.

Dos 9.253 novos casos notificados no domingo, 25 de outubro, apenas 28,3% deles correspondem a moradores da capital ou da província de Buenos Aires, enquanto os 71,7% restantes foram detectados em outras regiões do país.

Nesse sentido, as autoridades locais explicaram que as principais restrições de circulação serão mantidas apenas nas áreas onde as taxas de transmissão ainda são altas.

Duas realidades

A nova prorrogação das restrições, que o presidente Alberto Fernández anunciou na última sexta-feira estará vigente pelo menos até o dia 8 de novembro, e estabelece duas categorias distintas, de acordo com a situação de cada região: o isolamento ou o distanciamento, ambos obrigatórios.

O isolamento será mantido na região metropolitana da capital e em algumas cidades das províncias de Buenos Aires, Chaco, Chubut, Córdoba, La Rioja, Mendoza, Neuquén, Río Negro, Salta, San Juan, San Luís, Santa Cruz, Santa Fe, Santiago del Estero, Tierra del Fuego e Tucumán.

Nesses locais, o transporte público continuará sendo utilizado apenas por trabalhadores considerados essenciais. Será necessária a aprovação de protocolos de higiene e saúde para a reabertura de atividades econômicas e confraternizações só poderão ser realizadas em espaços abertos.

"Novo normal"

A cidade de Buenos Aires, por sua vez, continuará avançando dentro do plano de reabertura econômica iniciado nos últimos meses, período em que a curva de contágio se manteve estável e começou a cair.

A partir desta segunda-feira, alunos de alguns cursos puderam retornar às aulas presenciais, e também foram autorizadas atividades universitárias e de pesquisa e a reabertura de museus.

Os restaurantes poderão voltar a atender clientes em ambientes fechados, e academias e centros de dança poderão reabrir, mas com vagas limitadas.

Atividades religiosas, por sua vez, poderão concentrar até 20 pessoas em ambientes fechados ou ao ar livre.

Nos próximos dias, serão finalizados protocolos e regulamentos para outras atividades na cidade, que terão um papel fundamental no retorno do turismo.

No último sábado, o ministro de Turismo e Esportes da Argentina, Matías Lammens, já havia afirmado que a reabertura das fronteiras aéreas e marítimas com países vizinhos é "iminente", tendo em vista a próxima campanha para atrair visitantes durante o verão, que começa em dezembro.

O ministro da Saúde de Buenos Aires, Fernán Quirós, por sua vez, ressaltou que está trabalhando em um protocolo para as atividades turísticas de forma conjunta com as autoridades nacionais, e que deve ser divulgado nos próximos dias.

Prevenção de novos surtos

Enquanto a capital está em um momento de diminuição da curva de contágio, as autoridades acreditam que o número de novos casos continuará caindo se as medidas de prevenção determinadas forem cumpridas, e já começaram a desenvolver estratégias para combater possíveis surtos, como os que estão ocorrendo em vários países do Europa.

"Temos que trabalhar juntos para mitigar ou evitar um possíveis novos surtos, e os cidadãos têm que começar a refletir sobre este aspecto também, porque a Europa já mostrou, que, depois de controlar a primeira curva, as condições podem proporcionar um novo crescimento do número de casos", enfatizou Quirós no relatório diário do Ministério.

Para ele, é necessário "continuar intensificando e ampliando as estratégias de testes e rastreamento" e um melhor entendimento dos cenários de contágio.

Províncias à beira do colapso

Além do número de infecções e óbitos, as autoridades se concentram no nível de ocupação do sistema de saúde, principalmente das unidades de terapia intensiva, onde, segundo os últimos dados oficiais, 4.863 pessoas com covid-19 estão internadas.

O nível de ocupação desses leitos por diferentes doenças é de 63,5% em todo o país, enquanto em algumas províncias a situação é mais preocupante, como é o caso Neuquén, no sul da Argentina, onde a essa porcentagem é de 96%, Rio Negro (90%) e Tucumán (87%).

A Argentina mantém duras restrições para conter a pandemia há mais de sete meses.

O que a princípio era uma estrita quarentena válida para todo para todo o território nacional, em um momento em que o número de infecções era crescente, aos poucos foi dando origem ao sistema atual, apesar de a Argentina ainda ser o sétimo país com mais casos no mundo (1.090.589), segundo a contagem independente da universidade americana Johns Hopkins.

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