Ataque suicida contra deslocados deixa 7 mortos em Camarões

Outras 14 pessoas ficaram feridas no atentado, atribuído ao grupo terrorista Boko Haram, em meio a uma onda de violência no norte do país

Deslocados por conflitos vivem em campos no norte de Camarões

Deslocados por conflitos vivem em campos no norte de Camarões

Divulgação / ACNUR

Um ataque suicida cometido na última terça-feira (1º) contra uma adeia que abrigava deslocados internos na região Extremo Norte de Camarões deixou sete mortos e 14 feridos, informou nesta quarta-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Atribuído pelas autoridades locais ao grupo jihadista nigeriano Boko Haram, o ataque ocorreu na aleia de Goldavi, onde cerca de 18 mil deslocados internos buscavam segurança ao longo dos últimos sete anos.

Onda de violência

O incidente ocorreu um mês após 18 pessoas morrerem e 15 ficarem feridas em outro suposto ataque do Boko Haram contra o campo de refugiados de Nguétchéwé, na mesma região, no dia 2 de agosto.

"Estamos horrorizados com esses ataques sem sentido contra pessoas que foram tiradas de suas aldeias, que fogem da violência cometida por grupos armados que fazem estragos na região. A matança de civis inocentes tem que acabar. Isto vai contra o direito internacional humanitário.", afirmou em comunicado o representante do Acnur em Camarões, Olivier Guillaume Beer.

Segundo o Acnur, cerca de 7 mil camaroneses das aldeias de Kordo e Guérédou, perto da fronteira com a Nigéria, estão fora de casa desde 11 de agosto, em busca de segurança em regiões vizinhas.

Os ataques recentes ocorreram após um aumento significativo dos incidentes de violência no Extremo Norte de Camarões, como saques e sequestros cometidos pelo Boko Haram e outros grupos armados.

A violência que afeta a bacia do Lago Chade já causou mais de 30 mil mortes e obrigou mais de três milhões a fugirem. Cerca de 2,7 milhões de pessoas estão deslocadas internamente no nordeste da Nigéria, Camarões, Chade e Níger, e outros 300 mil refugiados nigerianos fugiram para países vizinhos, segundo o Acnur.