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Internacional Aumento de casos de covid-19 faz alguns países retomarem restrições

Aumento de casos de covid-19 faz alguns países retomarem restrições

Austrália colocou bairros de Sydney em quarentena, Israel vai retomar uso de máscaras e outros países endureceram medidas

AFP
Australianos fazem fila para vacinação em Sydney, onde foram impostas várias restrições

Australianos fazem fila para vacinação em Sydney, onde foram impostas várias restrições

Saeed Khan / AFP - 24.6.2021

Diante do aumento de contágios de covid-19, devido em parte à variante Delta mais transmissível, nesta sexta-feira (25) vários países tomaram novas medidas, como Israel, que voltou a impor o uso da máscara em lugares públicos fechados, e a Austrália, que confinou bairros de Sydney.

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Em Israel, um país que se vangloriava de ter superado a crise, graças à sua campanha de vacinação, a população não era mais obrigada a usar máscara nem em locais fechados, nem ao ar livre, desde 15 de junho.

Nos últimos dias, porém, as autoridades alertaram contra a propagação da variante Delta, detectada pela primeira vez na Índia e que é mais contagiosa do que as demais.

Nesta sexta-feira, restabelece-se o uso obrigatório da máscara em empresas e em locais públicos fechados.

"Diante do aumento dos contágios, o Ministério da Saúde anunciou que, a partir do meio-dia de hoje (sexta-feira), a máscara será obrigatória em todos os locais fechados, exceto nas residências", afirma um comunicado.

Também recomenda aos israelenses o uso de máscara em grandes concentrações ao ar livre.

Desde segunda (21), as autoridades de saúde registram a cada dia mais de 100 novos casos. Ontem, 227 novos contágios foram identificados pelas autoridades de saúde, segundo os últimos dados disponíveis.

Austrália e Portugal

Na Austrália, que até agora conseguiu conter a propagação do vírus em seu território, as autoridades ordenaram, nesta sexta-feira, o confinamento durante uma semana em quatro bairros do centro de Sydney.

A medida foi adotada depois que o país detectou 65 casos positivos esta semana, relacionados a um motorista de limusine infectado quando levou a tripulação de um voo internacional do aeroporto de Sydney para um hotel de quarentena.

A ordem obriga a quarentena para qualquer um que tenha morado, ou trabalhado nas áreas afetadas, nos últimos 15 dias.

A variante Delta também preocupa Portugal. As autoridades do país decidiram na quinta-feira interromper a retirada progressiva das restrições sanitárias. Em Lisboa, as medidas foram endurecidas.

Na Espanha, uma viagem de estudantes para as turísticas ilhas Baleares gerou um grande foco de contágios. Somente na região de Madri, 320 jovens testaram positivo para covid-19, e outros 2.000 tiveram de ser isolados. Segundo autoridades de saúde regionais, o surto teria sido causado pela variante britânica, chamada Alpha.

Embora até agora tudo indique que os números da pandemia estejam melhorando — com o menor número de novos casos diários registrados no mundo desde fevereiro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) —, a rápida propagação da variante Delta ameaça provocar uma nova onda mundial, alertam especialistas e autoridades de saúde.

Essa variante, que começou a se propagar na Índia em abril, está presente em pelo menos 85 países, com diferentes percentuais. Estima-se que seja entre 40%-60% mais transmissível do que a variante Alpha, que é, por sua vez, mais contagiosa do que aquela que dominou a Europa na primeira onda.

Terceira onda na África

Ainda muito distante do restante do mundo na campanha de vacinação, a África vive uma terceira onda de coronavírus que aumenta a pressão sobre alguns hospitais com quase nenhum recurso e já submetidos a duros desafios.

"A terceira onda está ganhando velocidade, se espalhando mais rápido e atingindo com mais força", declarou na quinta-feira (24) a diretora da OMS na África, Matshidiso Moeti, alertando que a onda "ameaça ser a pior até agora".

Na África do Sul, o país oficialmente mais castigado com 35% das infecções, os médicos enfrentam uma chegada contínua, sem precedentes, de pacientes de covid-19. Em nações próximas, como Zâmbia e Namíbia, a curva de contágios também cresce exponencialmente.

A pandemia já causou mais de 3,9 milhões de mortes e quase 180 milhões de casos no mundo, segundo um balanço da AFP atualizado nesta sexta-feira.

Os Estados Unidos são o país com mais mortes — mais de 603.000 —, seguido por Brasil (509.141), Índia (509.141), México (232.068) e Peru (191.286).

América Latina e Caribe é a região do mundo que soma mais óbitos, com mais de 1,25 milhão de mortos.

No Chile, que está saindo gradualmente de uma última onda que atingiu o país com força desde meados de março, o Congresso aprovou ontem uma nova extensão por 90 dias do estado de exceção pela pandemia.

Horas antes, as autoridades sanitárias confirmaram o primeiro caso da variante Delta no país, em uma pessoa recém-chegada dos Estados Unidos.

A Venezuela anunciou a compra de 12 milhões de doses da Abdala, uma candidata vacinal de Cuba contra a covid-19. Segundo o laboratório, este imunizante tem uma eficácia de 92% e aguarda a aprovação da OMS.

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