Rússia x Ucrânia

Internacional Autoridades dos EUA vão a Kiev neste domingo (24), dia em que a guerra com a Rússia faz dois meses

Autoridades dos EUA vão a Kiev neste domingo (24), dia em que a guerra com a Rússia faz dois meses

Líderes da diplomacia e da Defesa são os primeiros funcionários de alto escalão do país que vão encontrar Zelenski após a invasão

AFP
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o secretário de Defesa, Lloyd Austin

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o secretário de Defesa, Lloyd Austin

Michael A. McCoy/Reuters - 11.4.2022

Os líderes da diplomacia e da Defesa dos Estados Unidos chegam a Kiev neste domingo (24) para sua primeira visita desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, enquanto intensos combates ofuscam a Páscoa ortodoxa.

Os secretários de Estado, Antony Blinken, e da Defesa, Lloyd Austin, fazem a visita à capital ucraniana quando a guerra, que deixou milhares de mortos e milhões de deslocados, completa dois meses.

Desde o início do conflito, vários líderes europeus viajaram para Kiev para se encontrar com o presidente Volodmir Zelenski e prestar apoio à Ucrânia, mas os Estados Unidos não haviam enviado até agora nenhum alto funcionário.

A visita de Blinken e Lloyd à Ucrânia coincide com a Páscoa do país amplamente ortodoxo. "Nossa alma está cheia de um ódio feroz pelos invasores e tudo o que eles fizeram. Não vamos deixar a raiva nos destruir por dentro", disse Zelenski em um comunicado que marca o feriado.

O Departamento de Estado dos EUA se recusou a comentar a viagem altamente sensível de dois dos principais membros do gabinete do presidente Joe Biden.

No terreno, as forças russas não mostram sinais de reduzir os seus ataques após o lançamento de um míssil na cidade de Odessa, no sul do país, que a Ucrânia diz ter matado oito pessoas, incluindo uma bebê.

"Entre os mortos está uma bebê de 3 meses. Como ela ameaçou a Rússia? Parece que matar crianças é uma nova ideia nacional da Federação Russa", denunciou Zelenski.

Ele também acusou a Rússia de ser um Estado terrorista e de agir como os nazistas na devastada cidade de Mariupol, fortemente bombardeada há semanas.

ONU pede trégua em Mariupol


A ONU pede uma trégua "imediata" em Mariupol para permitir a retirada de cerca de 100 mil civis que permanecem presos nessa cidade portuária ucraniana controlada quase inteiramente pelo Exército russo, de acordo com um comunicado emitido neste domingo (24) pelo seu coordenador na Ucrânia.

"Precisamos de uma pausa nos combates agora para salvar vidas. Quanto mais esperarmos, mais vidas estarão ameaçadas. As pessoas devem ser autorizadas a sair agora, hoje. Amanhã será tarde demais", disse Amin Awad.

A última de várias tentativas de retirar os civis da cidade fracassou no último sábado, e uma unidade de combatentes ucranianos em túneis sob uma usina siderúrgica parece estar em situação desesperadora.

No sábado, cerca de 200 moradores se reuniram em um local de saída designado em Mariupol, mas foram "dispersados" pelas forças russas, informou, no Telegram, Petro Andyushchenko, um funcionário municipal.

Ele assegurou que os russos impediram a saída e que outros civis foram levados para ônibus com destino a locais sob controle da Rússia.

Nesta madrugada, a Ucrânia afirmou que as forças russas continuavam a bombardear a cidade do mar de Azov, incluindo a siderúrgica Azovstal, o último reduto de resistência dos combatentes ucranianos.

Mariupol, que o Kremlin afirma ter tomado, é fundamental para os planos militares russos de estabelecer um corredor terrestre entre a Crimeia e o leste da Ucrânia.

Embora os combates tenham se espalhado pela maior parte do país, muitos ucranianos enfrentaram as bombas para receber a tradicional bênção da Páscoa ortodoxa, que os ucranianos celebraram neste domingo.

Míssil em Odessa


Mais a oeste, um míssil atingiu um prédio residencial no porto de Odessa, no mar Negro, matando oito pessoas e ferindo 18, segundo Zelenski, que disse que cinco mísseis atingiram a cidade.

"Vamos identificar os responsáveis por esse ataque, os responsáveis pelo terror russo", acrescentou.

O Ministério da Defesa russo assegurou que tinha como alvo um depósito de armas perto de Odessa e afirmou que os serviços especiais ucranianos estão preparando uma "provocação com o uso de produtos químicos tóxicos" para culpar a Rússia.

De acordo com as potências ocidentais, o país faz tais acusações para encobrir ataques planejados por suas próprias forças.

Já um oficial militar russo de alto escalão garantiu que o objetivo de seu país é assumir o controle total da região do Donbass, no leste, e do sul da Ucrânia.

As forças russas, que se retiraram do norte da Ucrânia e dos arredores de Kiev após tentativas frustradas de tomar a capital, já ocupam grande parte do Donbass e do sul.

Crime de guerra


Depois de mudarem seu foco estratégico para o sul e o leste da Ucrânia, as forças russas deixaram para trás um rastro de destruição ao redor de Kiev.

Uma missão da ONU na cidade de Bucha, perto da capital, documentou "assassinatos ilegais, incluindo a execução sumária de cerca de 50 civis", segundo o escritório do Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

As tropas "bombardearam indiscriminadamente áreas povoadas, matando civis e destruindo hospitais, escolas e outras infraestruturas, o que pode constituir crimes de guerra", diz o documento.

Tania Boikiv, de 52 anos, declarou que as forças russas levaram seu marido de sua casa em Bucha, o prenderam por duas semanas e depois o espancaram até a morte.

"A coisa mais terrível da minha vida é que meu marido, meu amor, não está aqui", lamentou à AFP. "Eu não sei o que poderia ser pior."

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