Internacional Biden convida mais de 100 países para cúpula sobre democracia

Biden convida mais de 100 países para cúpula sobre democracia

Encontro virtual irá acontecer em 9 e 10 de dezembro; China, principal rival do país, não foi convidada, mas Taiwan está na lista

AFP
O presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre economia durante um evento em Washington

O presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre economia durante um evento em Washington

Alex Wong/Getty Images via AFP - 23.11.2021

O presidente americano, Joe Biden, convidou 110 países, entre eles o Brasil, para uma cúpula virtual sobre a democracia que ocorrerá em dezembro. Entre os convidados estão grandes aliados ocidentais, mas também países como Iraque, Índia e Paquistão, segundo uma lista publicada no site do Departamento de Estado.

A China, principal rival dos Estados Unidos, não foi convidada, enquanto Taiwan, sim - uma medida que irritou Pequim. 

Taiwan agradeceu ao presidente Joe Biden pelo convite. "Com esta reunião de cúpula, Taiwan pode compartilhar sua história democrática de sucesso", afirmou o porta-voz da presidência, Xavier Chang, em um comunicado.

O governo da China respondeu de maneira rápida. "A China mostra sua firme oposição ao convite americano às autoridades de Taiwan", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian. Ele insistiu que Taiwan é "uma parte inalienável do território chinês".

Taiwan, ilha governada de forma democrática e reivindicada por Pequim, é foco de tensões entre as duas maiores potências mundiais, Estados Unidos e China.

A Turquia, que assim como os Estados Unidos, é país-membro da Otan, está ausente da lista de países participantes.

Do Oriente Médio, apenas Israel e Iraque foram convidados para este encontro virtual organizado por Biden em 9 e 10 de dezembro. Aliados árabes tradicionais dos Estados Unidos como Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Catar ou Emirados Árabes Unidos não foram chamados.

Na Europa, a Polônia será representada, apesar de tensões recorrentes com Bruxelas sobre o respeito ao Estado de Direito, embora a Hungria, liderada pelo controverso primeiro-ministro Viktor Orbán, não esteja na lista do Departamento de Estado.

Já na África, estão entre os convidados a República Democrática do Congo, Quênia, África do Sul, Nigéria e Níger.

Desde a chegada de Biden à Casa Branca, em janeiro, sua política externa tem se concentrado na luta entre democracias e "autocracias", como China e Rússia. Nesse sentido, a "Cúpula pela Democracia" é uma de suas prioridades, assim como uma de suas promessas de campanha.

"Democracias em declínio"

"Para uma primeira cúpula (...) há boas razões para ter uma ampla gama de atores presentes: isso permite uma melhor troca de ideias", disse Laleh Ispahani, da Open Society Foundations, à AFP, antes da publicação da lista.

Segundo Ispahani, além de realizar uma reunião anti-China, país que ele classifica como uma "oportunidade perdida", Biden deve aproveitar essas reuniões para "atacar a crise que representa o sério declínio da democracia em todo o mundo, mesmo para modelos relativamente robustos como o dos Estados Unidos".

Esta cúpula foi organizada diante dos muitos contratempos que a democracia sofreu nos últimos meses em países onde os Estados Unidos tinham grandes esperanças.

Entre eles Sudão e Mianmar, com cenas de golpes militares; A Etiópia, apanhada em conflito sob o risco de "implodir", segundo Washington; assim como o Afeganistão, onde o Talibã assumiu o poder depois que os Estados Unidos deixaram o país após 20 anos de esforços de democratização.

Os próprios Estados Unidos foram incluídos na lista de "democracias em declínio" pela primeira vez, principalmente devido à era Trump, de acordo com um relatório da organização International IDEA, com sede em Estocolmo.

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