Internacional Biden declara o 'retorno' dos EUA e da aliança transatlântica

Biden declara o 'retorno' dos EUA e da aliança transatlântica

Presidente dos Estados Unidos fez, na Conferência de Segurança de Munique, seu primeiro grande discurso de política externa  

  • Internacional | Da AFP

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden

19/02/2021 REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, proclamou nesta sexta-feira (19) o "retorno" da aliança transatlântica, em um poderoso discurso para restabelecer os Estados Unidos como o líder do Ocidente contra o que ele chamou de um ataque global à democracia.

O discurso de Biden na Conferência de Segurança de Munique, um evento anual realizado por videoconferência devido à pandemia de covid-19, coincidiu com as boas-vindas ao "multilateralismo" da chanceler alemã Angela Merkel após anos de confronto com o antecessor de Biden, Donald Trump.

Em seu primeiro grande discurso de política externa internacional desde que assumiu o cargo em 20 de janeiro, Biden disse que os aliados tradicionais dos Estados Unidos deveriam mais uma vez ter confiança na liderança de Washington.

"Estou enviando uma mensagem clara ao mundo: a América está de volta. A aliança transatlântica está de volta", disse ele da Casa Branca.

"Os Estados Unidos estão determinados a se engajar novamente com a Europa, a consultá-los, a recuperar nossa posição de liderança confiável", disse ele.

Biden, que falou anteriormente aos líderes do Grupo dos Sete (G7), um clube de países democráticos ricos, disse que sua administração vai mais uma vez enfatizar a construção de alianças, em contraste com as políticas isolacionistas de Trump e o tratamento corrosivo dos aliados americanos.

"Nossas parcerias têm durado e crescido ao longo dos anos porque estão enraizadas na riqueza de nossos valores democráticos compartilhados. Eles não são transacionais. Não para se obter vantagem", disse Biden em clara referência à ênfase de Trump na redefinição de aliados como adversários econômicos.

O esforço coletivo, disse Biden, é a única maneira de ter sucesso quando a competição global entre democracia e autocracia está em um "ponto de inflexão".

"Em muitos lugares, incluindo Europa e Estados Unidos, o progresso democrático está sendo atacado", disse Biden.

"Os historiadores vão examinar e escrever sobre este momento. É um ponto de inflexão. E acredito com todo o meu ser que a democracia deve prevalecer."

Ameaças da Rússia e China


Biden disse que não busca um retorno aos "blocos rígidos da Guerra Fria", insistindo que a comunidade internacional deve trabalhar em conjunto em questões como a pandemia do coronavírus e as mudanças climáticas, mesmo que haja profundas divergências em outros assuntos.

O retorno dos Estados Unidos ao Acordo de Paris para o Clima, formalizado nesta sexta-feira, é uma prova das intenções de Washington, disse ele.

"Não podemos mais atrasar ou fazer o mínimo para lidar com a mudança climática", afirmou Biden, chamando essa questão de "crise existencial global".

Mas Biden emitiu advertências severas sobre ameaças representadas pela Rússia e pela China.

"O Kremlin ataca nossas democracias e usa a corrupção como arma para tentar minar nosso sistema de governo", disse ele.

O presidente Vladimir Putin "busca enfraquecer o projeto europeu e nossa aliança com a Otan", afirmou.

Mais uma vez pedindo a unidade dos países ocidentais, Biden acrescentou que "é muito mais fácil para o Kremlin intimidar e ameaçar Estados individuais do que negociar com uma comunidade transatlântica forte e unida".

A Casa Branca disse que Biden não planeja retomar os polêmicos esforços de Trump no ano passado para restabelecer o G8, que se tornou o G7 depois que a Rússia foi derrubada em resposta à anexação da região da Crimeia na Ucrânia.

"Não acho que faremos novos convites para a Rússia ou que vamos reiterar novos convites para a Rússia", disse a secretária de imprensa Jen Psaki.

Da mesma forma, convidou os aliados europeus a permanecerem unidos diante dos desafios políticos e econômicos colocados pela China, destacando que é possível "enfrentar os abusos econômicos e a coerção do governo chinês que minam os alicerces do sistema econômico internacional".

"As empresas chinesas devem atender ao mesmo padrão" que as americanas e europeias, ressaltou.

Com relação ao Irã, Biden reiterou seu compromisso de retornar às negociações internacionais com Teerã sobre seu programa nuclear, mas explicou que é necessário "abordar as atividades desestabilizadoras do Irã em todo o Oriente Médio".

A abordagem de Biden está sendo bem recebida na Europa. Em declarações a jornalistas após a reunião do G7, a alemã Merkel deu as boas-vindas à chegada de Biden ao cenário mundial.

"O multilateralismo é impulsionado pela mudança de governo dos Estados Unidos, o governo Biden já demonstrou isso com suas primeiras decisões", declarou, aludindo ao retorno de Washington ao Acordo de Paris e à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na conferência de Munique, Merkel repetiu a advertência de Biden sobre Moscou.

"É muito importante que desenvolvamos uma política transatlântica em relação à Rússia", observou.

O presidente francês Emmanuel Macron saudou o retorno dos Estados Unidos, mas disse que a Europa ainda não avançou para garantir sua própria segurança.

“Se dependermos demais dos Estados Unidos dentro da OTAN, podemos nos colocar na situação de não mais sermos protegidos em nossas fronteiras”, disse ele na reunião de Munique.

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