Internacional Biden diz que prazo para a retirada 'depende da cooperação do Talibã'

Biden diz que prazo para a retirada 'depende da cooperação do Talibã'

Presidente dos EUA afirmou que pretende terminar de tirar norte-americanos e aliados do Afeganistão na data combinada

  • Internacional | Fábio Fleury, do R7

Presidente dos EUA disse que quase 80 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão desde julho

Presidente dos EUA disse que quase 80 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão desde julho

Reprodução / Twitter

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse em um pronunciamento nesta terça-feira (24) que espera cumprir o prazo combinado para a retirada final de todas as tropas e cidadãos norte-americanos que ainda estão no Afeganistão, além de afegãos que trabalharam com o país, em apenas mais uma semana, No entanto, essa meta depende da "colaboração" do Talibã.

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Em um discurso na Casa Branca, Biden comentou sobre os últimos números da retirada no aeroporto de Cabul e disse que fechou posicionamento com as demais nações do G7 e representantes da Otan e da União Europeia em uma reunião virtual durante a tarde desta terça.

"Concordamos em continuar nossa cooperação para tirar as pessoas da maneira mais eficiente. Quanto mais cedo conseguirmos, melhor. No entanto, a conclusão em 31 de agosto depende da cooperação do Talibã, especialmente no que diz respeito ao acesso ao aeroporto. Tambpem pedi planos de contingência (para uma maior permanência) ao Pentágono caso seja necessário", afirmou Biden.

Retirada em massa

Segundo o presidente norte-americano, nas últimas 24 horas, mais de 21 mil pessoas — sendo 12 mil apenas nas últimas 12 horas, em 50 voos — foram retiradas do Afeganistão por meio do aeroporto de Cabul. No que ele chamou de "esforço global sem precedentes", quase 80 mil deixaram o país desde junho.

A aceleração se deve a crescentes alertas sobre segurança. Segundo Biden, há a possibilidade de um ataque não por parte do Talibã, necessariamente, mas de outros grupos, especialmente uma célula local do Estado Islâmico conhecida como Isis K (baseada na região do Khorasan, que abrange o oeste do Afeganistão e partes do Irã, Tadjiquistão, Turcomenistão e Usbequistão).

"Estou ciente de riscos, são reais e devemos levá-los em consideração. Há o risco de ataques por parte do Isis K, há o risco de atacarem o aeroporto e civis. É uma situação delicada. Já houve um tiroteio e pode haver mais violênci", alertou o presidente norte-americano.

Biden também afirmou que segue com um "compromisso humanitário" com o povo afegão e se disse disposto a ajudar refugiados do país, mas garantiu que "todos que chegarem aos EUA vão ter seus antecedentes checados, vamos ficar vigilantes com organizações terroristas".

Ele defendeu a decisão de encerrar a intervenção norte-americana no Afeganistão, dizendo que "o ambiente atual é muito diferente de 2001, conseguimos atingir os objetivos e agora vamos combater o terrorismo de outras formas, não precisamos manter tropas dessa forma".

Por fim, ele afirmou que o secretário de Estado, Antony Blinken, vai divulgar na quarta-feira um balanço mais detalhado com o número de norte-americanos que ainda estão em solo afegão e serão retirados nos próximos dias.

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