Internacional Biden propõe plano de infraestrutura de US$ 2 trilhões

Biden propõe plano de infraestrutura de US$ 2 trilhões

Ideia do presidente dos EUA é criar "milhões de empregos" e "encarar a China" com plano financiado com aumento de impostos

  • Internacional | Da AFP

Biden pretende priorizar a energia limpa em novo plano de infraestrutura

Biden pretende priorizar a energia limpa em novo plano de infraestrutura

Jim Watson / AFP - 31.3.2021

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, propôs nesta quarta-feira (31) um investimento de quase US$ 2 trilhões (cerca de R$ 11,3 trilhões) em infraestrutura, com o objetivo declarado de criar "milhões" de empregos, enfrentar a China no cenário econômico mundial e lutar contra as mudanças climáticas.

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"É grande, sim. É audacioso, sim. E nós podemos fazê-lo!", afirmou o presidente democrata.

"Isso criará a economia mais resiliente, forte e inovadora do mundo", acrescentou, enfatizando que quer "vencer" a competição com a China.

"São investimentos que não podemos deixar de fazer", ressaltou direto de Pittsburgh, na Pensilvânia, local onde lançou sua campanha pela Casa Branca há dois anos.

A primeira fase do programa "Build Back Better" (Reconstruir Melhor), detalhará os investimentos distribuídos ao longo de oito anos, que seriam financiados a partir do aumento nos impostos das empresas, cujas taxas passariam dos atuais 21% para 28%.

"Não se trata de penalizar ninguém", declarou Biden. "Não tenho nada contra milionários ou multimilionários. Acredito no capitalismo americano".

"Estou aberto a outras ideias", assegurou, "sempre e quando não envolva aumento de impostos às pessoas com uma menor renda".

O plano inclui destinar US$ 620 bilhões (cerca de R$ 3,5 trilhões) para o setor de transportes para modernizar mais de 32.000 quilômetros de estradas e rodovias, além de reparar quase 10.000 pontes no país.

Acusado por seu antecessor Donald Trump de ser um político sem ideias e sem diretrizes fortes, Biden deseja transformar o plano em um dos símbolos de seu mandato.

O presidente "pensa que seu papel é o de oferecer uma perspectiva ousada sobre como podemos investir em nosso país, nossas comunidades, nossos trabalhadores", disse sua porta-voz, Jen Psaki.

Os investimentos seriam particularmente financiados pelo aumento do imposto sobre as empresas, que passaria de 21% para 28%, uma ideia que já encontra resistências entre os empresários.

A nova ofensiva legislativa acontece pouco depois de o Congresso aprovar um plano de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 10,7 trilhões) para reparar os danos provocados pela pandemia de covid-19 na economia.

No entanto, o discurso de Biden é apenas o começo de uma longa batalha no Congresso, cujo resultado é incerto.

E as primeiras vozes dissonantes surgem da ala esquerdista do próprio Partido Democrata. Para a congressista de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez, os valores propostos são simplesmente "insuficientes".

Para o senador republicano por Wyoming John Barraso, o projeto é um "cavalo de Troia" para permitir aos democratas "gastar mais e aumentar os impostos".

Tudo isso significa que os próximos meses serão um teste para a habilidade de negociação de Biden, um ex-senador e veterano da política de Washington.

"Carros elétricos"

O plano considera ampliar "a revolução dos carros elétricos" com, por exemplo, a mudança para ônibus elétricos de 20% da frota destinada ao transporte escolar.

Também considera construir infraestruturas mais resistentes às evoluções vinculadas à mudança climática.

Reparar ou construir estradas, pontes, ferrovias, portos e aeroportos é uma ideia com grande significado para os americanos em geral, pois boa parte das infraestruturas do país data da década de 1950, e sua deterioração é inquestionável.

Alcançar um consenso entre democratas e republicanos não será fácil, porém.

Donald Trump e Barack Obama, os dois antecessores de Biden, também fizeram declarações sobre possíveis acordos e grandes promessas na área, que terminaram em fracasso.

O secretário dos Transportes, Pete Buttigieg, que estará na linha de frente do plano, acredita que, desta vez, o roteiro será diferente.

"Temos uma oportunidade extraordinária de conseguir o apoio dos dois partidos para pensar grande e dar provas de coragem nas infraestruturas", disse Buttigieg.

"Não é necessário explicar aos americanos que devemos trabalhar na infraestrutura, e a realidade é que não se pode separar a dimensão climática deste desafio", afirmou.

Joshua Bolten, presidente da organização empresarial Business Roundtable, mostrou-se contrário a qualquer aumento de imposto para as empresas para financiar a infraestrutura.

"Os líderes políticos deveriam evitar novos obstáculos à criação de empregos e ao crescimento, em particular em um período de recuperação", disse.

"Grande presente" para China

Em uma declaração agressiva, Trump acusou seu sucessor de propor uma estratégia de "total capitulação econômica".

Denunciando uma "monstruosidade", considerou que o aumento do imposto sobre as empresas seria "um grande presente" para a China.

"O cruel ataque de Joe Biden ao sonho americano nunca deve se tornar lei (...) Nossa economia será destruída!", concluiu.

Biden, por sua vez, informou que um aumento de 28% no imposto corporativo ainda deixaria a alíquota mais baixa do que era por quase 70 anos entre a Segunda Guerra Mundial e 2017, ano em que Trump chegou ao poder.

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos, que até agora acolheu muitas das decisões de Biden, como o retorno do país ao Acordo Climático de Paris e o plano de resgate para a economia, também expressou não concordar com a iniciativa.

Embora aprove o desejo de priorizar a infraestrutura, acredita que o presidente democrata está "perigosamente" errado na maneira como financia seu programa.

"Nos opomos veementemente aos aumentos de impostos propostos, que retardarão a recuperação econômica e tornarão os Estados Unidos menos competitivos no cenário internacional, exatamente o oposto dos objetivos deste plano", argumentou.

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