Internacional Califórnia vota a favor da permanência do governador 

Califórnia vota a favor da permanência do governador 

Referendo foi realizada após Gavin Newson ser criticado pelas medidas adotadas no estado para conter a pandemia de covid-19

AFP
Governador da Califórnia, Gavin Newson

Governador da Califórnia, Gavin Newson

SAUL LOEB / AFP

Os californianos compareceram às urnas na terça-feira (14) para um referendo e decidiram pela permanência do governador democrata, Gavin Newson, no cargo, com a rejeição de uma tentativa de revogação por parte dos republicanos críticos às restrições determinadas pela pandemia.

Newsom sobreviveu sem problemas a uma consulta que poderia ter provocado sua substituição por um republicano em um dos estados mais liberais dos Estados Unidos.

Com mais de 60% dos votos apurados em todo o estado, os canais CNN e NBC informaram que Gavin Newsom venceu depois que quase dois terços dos eleitores apoiaram o democrata na consulta popular.

Milhões de pessoas votaram por correio, o que permitiu uma apuração rápida pouco após o fim do horário de votação.

Newsom afirma que respeitou as recomendações científicas quando ordenou o confinamento na Califórnia durante o pior momento da pandemia de covid-19. 

Mas os empresários o acusaram de prejudicar seus negócios com as restrições e muitos pais reclamaram da suspensão das aulas presenciais. 

Políticos de todo o país, profundamente polarizado, acompanharam com interesse a votação da Califórnia como um possível indicador de como as urnas devem tratar os políticos que ouviram os médicos, em comparação com aqueles que escutam os eleitores furiosos.

O principal rival de Newsom era Larry Elder, um apresentador de rádio de direita, apoiado pelo ex-presidente Donald Trump.

Elder copiou a estratégia de Trump na eleição de 2020 e lançou na segunda-feira (13) à noite um site para denunciar fraude. Ele pediu às autoridades que "investiguem e melhorem os resultados distorcidos" da eleição.

O político de 69 anos reconheceu a vitória do adversário. "Admitimos que perdemos a batalha, mas sem dúvida vamos vencer a guerra", declarou aos simpatizantes reunidos no condado de Orange, incluindo vários com bonés "Make America Great Again", populares entre os seguidores de Trump.

A cédula apresentava duas perguntas: a primeira era se Newsom deveria ter o mandato revogado e a segunda sobre quem deveria ser o substituto.

O governador precisava de maioria simples na primeira pergunta para continuar no cargo. Caso não conseguisse, o candidato mais votado na segunda pergunta seria o seu sucessor, independente da quantidade cotos recebidos.

Um total de 46 candidatos aspiravam o posto. Políticos tradicionais competiram com uma estrela do YouTube e com a celebridade Caitlyn Jenner, entre outros.

280 milhões de dólares

Mary Beth, de 63 anos, dona de uma loja, disse que votou  em Los Angeles para "se livrar do Newsom" porque "o vírus criou o caos em nossa economia, mas tornou as coisas piores com seus confinamentos".

"Havia outras maneiras de gerenciar isso e ele deveria ter priorizado os negócios", afirmou.

Os democratas criticaram o custo da consulta - 180 milhões de dólares - e afirmaram que consulta era uma tentativa dos republicanos de sequestrar o governo do estado e chegar ao poder como não conseguiriam nas urnas.

Uma pesquisa da Spectrum News e IPSOS divulgada na terça-feira revelou que dois terços dos eleitores registrados consideravam o referendo uma tentativa de tomar o poder político.

"Ridículo"

Embora Newsom tenha vencido com folga em 2018, as regras eleitorais da Califórnia facilitam a convocação de referendos revogatórios

Para obter a medida, os descontentes com o governador devem conseguir as assinaturas de apenas 12% do número de eleitores que compareceram à votação anterior. Neste caso, a quantidade era de 1,5 milhão em um estado de 40 milhões de habitantes.

"Este referendo é ridículo", disse Jake, um funcionário do setor de tecnologia de 38 anos que votou em Los Angeles na terça-feira, e que não quis informar seu sobrenome.

"Eu fiz as contas e mesmo que todos os eleitores registrados votassem, poderia custar mais de 12 dólares por voto", acrescentou. "Muitas pessoas poderiam ter tomado café da manhã com esse dinheiro".

Este referendo foi apenas o segundo da história da Califórnia. O primeiro levou ao governo o ator Arnold Schwarzenegger em 2003.

Schwarzenegger, que acabou ficando no cargo por mais de sete anos, foi o último governador republicano da Califórnia.

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