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Internacional Câmara dos EUA vai votar envio de artigos de impeachment ao Senado

Câmara dos EUA vai votar envio de artigos de impeachment ao Senado

Partido Democrata também vai nomear os parlamentares que servirão como representantes da Câmara para o julgamento no Senado

Câmara dos Deputados dos EUA vai votar artigos do impeachment na quarta-feira (15)

Câmara dos Deputados dos EUA vai votar artigos do impeachment na quarta-feira (15)

Tom Brenner/Reuters - 9.1.2020

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, controlada pelos democratas, votará na quarta-feira o envio ao Senado das acusações formais de impeachment contra o presidente Donald Trump, disseram parlamentares nesta terça-feira, o que pode fazer o julgamento de Trump começar ainda nesta semana.

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, disse em uma reunião do partido que também nomeará a equipe de representantes da Casa que liderará a acusação contra Trump no julgamento, disse o deputado democrata Henry Cuellar.

Trump se tornou o terceiro presidente dos EUA a ter acusações de impeachment aprovadas com a votação da Câmara no mês passado de que ele abusou de seu poder pressionando a Ucrânia a anunciar uma investigação sobre seu rival democrata Joe Biden e de que ele obstruiu o Congresso.

Mas Pelosi tem postergado o envio das acusações ao Senado, em um esforço malsucedido para que o líder da maioria republicana naquela Casa, Mitch McConnell, concordasse em incluir novos depoimentos de testemunhas que poderiam ser prejudiciais a Trump, também republicano.

Espera-se que o Senado absolva Trump, pois nenhum dos 53 republicanos na Casa expressou a intenção de votar a favor de sua remoção do cargo, algo que exigiria uma maioria de dois terços do total de 100 senadores.

Trump nega qualquer irregularidade e tem se referido ao impeachment como uma tentativa partidária de desfazer sua vitória nas eleições de 2016, no mesmo momento que se prepara para buscar a reeleição em novembro.

Uma votação na quarta-feira permitiria que o Senado iniciasse o julgamento na tarde de quinta-feira, embora os primeiros dias sejam consumidos com tarefas burocráticas, como o juramento dos participantes e ler formalmente as duas acusações de impeachment. Os parlamentares provavelmente não ouviriam os argumentos iniciais até, pelo menos, a próxima semana.

"Vamos ter acho um debate de 10 minutos, votaremos e enviaremos tudo. E o julgamento no Senado, presumo, começará na próxima semana", disse Cuellar.

Procedimentos incertos

O julgamento do impeachment de Bill Clinton em 1999 durou cinco semanas. Se o Senado conduzir o julgamento de Trump em linha com esse, como sugeriu o republicano McConnell, isso significaria que os parlamentares ainda estariam considerando as acusações contra o presidente enquanto as primeiras primárias para a eleição presidencial estiverem em andamento em Iowa e New Hampshire.

Os democratas querem que autoridades atuais e anteriores da Casa Branca deponham, como o ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, mas McConnell ainda não disse de forma definitiva como o Senado, controlado pelos republicanos, conduzirá o julgamento.

McConnell não se comprometeu a permitir testemunhas ou novos documentos no processo e, em vez disso, pode direcionar o processo para uma rápida absolvição. Ele deixou em aberto a possibilidade de decidir o depoimento mais tarde no julgamento.

Os democratas acusam Trump de abusar de seu poder, pedindo a um governo estrangeiro que interferisse nas eleições norte-americanas para seu próprio benefício político às custas da segurança nacional dos EUA.

O caso está focado em uma ligação telefônica de 25 de julho, na qual Trump pediu ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy que iniciasse uma investigação de corrupção contra o ex-vice-presidente Biden e seu filho Hunter, e em uma teoria --que se provou falsa-- de que a Ucrânia, não a Rússia, interferiu nas eleições de 2016 nos EUA.

Joe Biden, cujo filho serviu no conselho de uma empresa de gás ucraniana, é um dos principais pré-candidatos democratas na corrida presidencial.

A Casa Branca disse na terça-feira que o julgamento iminente é "puramente político".