Internacional Cardápio escolar sem carne gera polêmica na França

Cardápio escolar sem carne gera polêmica na França

Proposta visa tornar mais rápido o atendimento dos alunos durante a pandemia, mas afeta fazendeiros e açougueiros locais

  • Internacional | Da AFP

Lyin enfrenta protestos de fazendeiros após proposta de cardápio escolar sem carne

Lyin enfrenta protestos de fazendeiros após proposta de cardápio escolar sem carne

Pixabay


Um cardápio escolar sem carne proposto nas lanchonetes escolares de Lyon, capital francesa da gastronomia e governada pelos ambientalistas, gerou uma polêmica nacional na qual inclusive alguns membros do governo de Emmanuel Macron participaram.

A polêmica começou quando a conselheira da Educação de Lyon anunciou em uma carta em 15 de fevereiro a elaboração de um "cardápio único sem carne para servir mais rápido os alunos e agilizar as refeições" em meio ao combate ao coronavírus nas 206 escolas da cidade. 

A medida, tomada pela cidade que é berço de muitos dos pratos típicos da França e pátria do célebre chef Paul Bocuse, provocou reações contrárias entre os membros do governo de Macron.

Em uma mensagem publicada no Twitter em 20 de fevereiro, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, considerou que a proposta faz parte de uma "ideologia escandalosa" e que é "um insulto inaceitável aos fazendeiros e açougueiros franceses".

Para Darmanin, a medida dos ambientalistas responde a "uma política elitista que exclui as classes populares".

Dois dias mais tarde, a ministra da Transição Ecológica, Barbara Pompili, lamentou "um debate pré-histórico" repleto de "clichês banais como que 'a alimentação vegetariana é desequilibrada'".

Pompili respondeu ao seu colega Darmanin sobre a consideração "elitista" dos cardápios vegetarianos: "Se diz que as crianças de classes desfavorecidas comem menos carne que os outros, quando os estudos mostram o contrário", explicou.

Em tratores e com algumas vacas, várias dezenas de criadores de gado se reuniram na segunda-feira (22) em frente à prefeitura de Lyon para protestar contra esta medida.   

O prefeito ambientalista de Lyon, Gregory Doucet, que governa desde junho de 2020, propôs em sua campanha eleitoral que os alunos pudessem escolher um cardápio vegetariano nas escolas.

A medida atual, motivada pelo contexto sanitário do coronavírus, é temporária e vai durar até o início das férias da Semana Santa, em 28 de março. Além disso, o cardápio não é vegetariano, já que inclui peixes e ovos.

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