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Internacional Casal brasileiro sofre com extensão de bloqueio na Namíbia: 'Desespero'

Casal brasileiro sofre com extensão de bloqueio na Namíbia: 'Desespero'

Prolongamento do lockdown no país africano até o dia 4 de maio prejudica o casal, que diz estar sem quase sem dinheiro e cobra o Itamaraty por solução

  • Internacional | Cesar Sacheto, do R7

Simone e Eduardo revelam angústia por indefinição do retorno ao Brasil

Simone e Eduardo revelam angústia por indefinição do retorno ao Brasil

Arquivo Pessoal

O casal Simone Faleiros de Melo e Eduardo Pereira de Almeida, brasileiros que realizavam uma viagem de férias, mas ficaram retidos na Namíbia, demonstrou aflição pelo prolongamento das medidas emergenciais no país africano para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus até o dia 4 de maio. A advogada e o engenheiro, que faz parte do grupo de risco da covid-19, dizem que já sofrem pelo término dos recursos financeiros e do estoque de remédios que dispunham.

"É uma situação de desespero. Nós estamos aqui há 19 dias, sem perspectiva. E hoje, acordamos e soubemos que teremos que ficar aqui por mais 20 dias. É surreal. O dinheiro está vai acabando, os remédios do Edu são suficientes apenas para essa semana. Os nossos empregadores estão sendo compreensivos. Mas até quando? A família está enlouquecida no Brasil. É inadmissível a gente ficar aqui até o dia 4 de maio", desabafou Simone Faleiros de Melo.

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A advogada voltou a criticar o Itamaraty e a Embaixada do Brasil em Windhoek, capital namibiana, pelo que considera falta de empenho nas negociações com as autoridades da nação africana na busca de alternativas para o retorno ao país. Simone afirmou que o embaixador brasileiro no local não ofereceu alternativas para a inclusão dela e do marido em um voo de volta para São Paulo. "Estamos no limbo. Não existe possibilidade para nós a não ser esperar até quando será aberto o espaço aéreo e poderemos comprar a passagem".

A brasileira contou ainda que um voo - ainda sem data definida - deverá decolar de Maputo (Moçambique), com escala em Luanda, mas não há previsão de uma eventual descida em Windhoek para que o casal possa embarcar. "Sei que é difícil fazer uma escala aqui para pegar duas pessoas. Mas existem outros voos que o Itamaraty está disponibilizando e que estão pegando pessoas em vários lugares", ponderou Simone, que cobra uma atuação mais incisiva dos diplomatas brasileiros.

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"Eles têm que nos ajudar nesse sentido. Vamos ter que renovar o aluguel. Provavelmente, o nosso dinheiro vai durar apenas até o final desta semana. O embaixador só sabe falar que está vendo, que estão lutando com todas as armas que têm. Mas é complicado", desabafou a advogada.

Outro lado

Diante da mudança do panorama que envolve o casal de brasileiros "ilhado" na capital da Namíbia, a reportagem do R7 refez o pedido de um posicionamento por parte do Ministério das Relações Exteriores sobre as negociações com o governo africano.

De acordo com o texto, o Itamaraty está buscando soluções para o caso dos brasileiros retidos na Namíbia, da mesma forma que tem feito com os milhares de outros retidos ao redor do mundo.

Como podem imaginar, as severas restrições de movimentação e o fechamento de todas as fronteiras namibianas - terrestres, marítimas e aéreas - limitam severamente a gama de opções disponíveis para a repatriação. 

Adicionalmente, o país fronteiriço que conta com mais capacidade de voos,  a África do Sul, também implementou medidas igualmente estritas de restrição ao trânsito terrestre interestadual, inclusive com adoção de quarentena quando do ingresso ao país, o que dificulta qualquer tentativa de transpor a distância de aproximadamente 1,600 km até Johannesburgo.

Trata-se de situação extrema e excepcional sobre a qual a Embaixada e o Itamaraty não têm poder decisório. Continuaremos buscando forma de solucionar o problema dos brasileiros e a prestar o apoio necessário, mas não temos ingerência sobre as regras impostas pelo governo namibiano e somos constrangidos por convenções internacionais a obedecer a seus ditames.

Não podemos desobedecer as leis locais e somos obrigados a alertar os brasileiros sobre potenciais riscos de ações que podem originar problemas maiores, como o transporte por via terrestre, em território pouco povoado, sob estrito controle migratório e de tráfego.

Reiteramos que contatos com os brasileiros na Namíbia foram realizados desde o início da crise. Antes do encerramento das fronteiras, a embaixada já recomendara aos nacionais que adiantassem o retorno ao Brasil, o que foi feito por sete outros cidadãos. Foi também obtido assento em voo com conexão pela Europa que os brasileiros decidiram não tomar. Outras soluções estão sendo estudadas, levando em consideração as limitações logísticas, legais e financeiras que somos obrigados a considerar.

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