Coronavírus

Internacional Casos crescem na África do Sul e Joanesburgo fica perto do colapso

Casos crescem na África do Sul e Joanesburgo fica perto do colapso

Com baixa vacinação e números em alta, região mais populosa do país sofre com aumento de internações e mortes por covid-19

Cerca de 0,8% da população sul-africana recebeu vacinas contra a covid-19

Cerca de 0,8% da população sul-africana recebeu vacinas contra a covid-19

Siphiwe Sibeko / Reuters - 23.6.2021

Com menos de 1% da população vacinada, a província de Gauteng, a mais populosa da África do Sul, é a principal responsável por um recente disparo nos números da covid-19 no país, que pode deflagrar uma onda de contágios e mortes generalizadas no país.

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Na região, onde ficam a maior cidade do país, Joanesburgo, e a capital, Pretória, a ocupação dos leitos de UTI já passou dos 90% e o temor é de que o colapso hospitalar, inclusive com falta de tanques de oxigênio, pode acontecer em breve.

A África do Sul é o país mais afetado pela pandemia do novo coronavírus no continente africano, com 1,86 milhão de casos — cerca de 40% do total — e pouco menos de 60 mil mortes. Desde o início de junho, no entanto, a terceira onda fez os números dispararem e, de acordo com o governo, dois terços dos novos casos estão localizados em Gauteng, principal centro industrial sul-africano.

"O problema aqui é que nós ainda nem atingimos os picos de contaminação em Gauteng", disse Mvuyisi Mzukwa, vice-presidnete da Associação Médica da África do Sul em uma entrevista, segundo a Bloomberg. "Vai ser um grande desafio e precisamos usar todos os recursos que tivermos, inclusive apelar para hospitais de campanha".

Falta de leitos

Além do rápido crescimento nas contaminações, o problema na região é mais severo por causa do fechamento de um hospítal em Joanesburgo, que pegou fogo em abril e teve 40% de sua UTI destruída pelas chamas. Entraves burocráticos impediram o início da reconstrução até o momento. Com isso, foram mil leitos de terapia intensiva retirados do sistema hospitalar.

O hospital, chamado Charlotte Maxeke, foi inteiramente fechado pelas autoridades, mesmo sem avarias por causa das chamas em três de seus cinco blocos, além da unidade de oncologia, a maior do país. O governo da província não deu prazo formal, mas uma reabertura parcial só deve acontecer no final de julho, o que além dos pacientes de covid prejudica o atendimento para todos os tipos de emergência médica.

Para piorar, o governo fechou nos últimos meses um hospital de campanha com cerca de 500 leitos, que ficava no sul da cidade. Com tudo isso, Gauteng, que tinha cerca de 5,5 mil leitos de UTI para tratar os pacientes, se viu com cerca de 4 mil.

Por tudo isso, o governo sul-africano precisou ampliar, na última semana, diversas medidas de restrição de público e reuniões. O toque de recolher agora vai das 22h às 4h, a venda de álcool foi limitada, reuniões religiosas e eventos sociais foram limitados a 50 pessoas em ambientes fechados e 100 pessoas ao ar livre.

"Nossa prioridade é nos certificar de que temos leitos suficientes, trabalhadores da saúde suficientes, respiradores e oxigênio suficientes para dar o melhor tratamento possível para todos que precisem", disse o presidente do país, Cyril Ramaphosa, ao anunciar as medidas.

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