Cheias na Coreia do Norte podem ter atingido instalação nuclear

Península coreana registra chuvas históricas e inundação recente teria afetado estruturas que abrigam de reator nuclear, diz entidade dos EUA

Imagem do Centro de Pesquisa Científica Nuclear de Yongbyon divulgada pela entidade 38 North

Imagem do Centro de Pesquisa Científica Nuclear de Yongbyon divulgada pela entidade 38 North

Airbus Defence & Space e 38 North/Pleiades © CNES 2020/Divulgação via Reuters

Imagens de satélite levam a crer que uma inundação recente na Coreia do Norte pode ter danificado estações de bombeamento conectadas à maior instalação nuclear do país, disse um centro de estudos norte-americano nesta quinta-feira.

Analistas do 38 North, uma entidade que monitora a Coreia do Norte, disseram que imagens de satélites comerciais feitas entre 6 e 11 de agosto mostraram como os sistemas de resfriamento do reator nuclear do Centro de Pesquisa Científica Nuclear de Yongbyon são vulneráveis a eventos climáticos extremos.

A península coreana é vítima de um dos períodos de chuva mais longos da história recente, e inundações e deslizamentos de terra causam estragos e mortes nas Coreias do Norte e do Sul.

Localizada na margem do Rio Kuryong, cerca de 100 quilômetros ao norte da capital norte-coreana, Pyongyang, Yongbyon abriga reatores nucleares, plantas de reprocessamento de combustível e instalações de enriquecimento de urânio que se acredita serem usados no programa de armas nucleares do país.

Reator parece não estar em funcionamento

O reator de cinco megawatts — que se acredita ser usado para produzir plutônio adequado para armas — não parece estar em operação há algum tempo, e o Reator Experimental de Água Leve (ELWR) ainda não está conectado à rede, mas uma inundação como a recente provavelmente forçaria um desligamento no futuro, disse a reportagem do 38 North.

"Danos nas bombas e na tubulação dentro das estações de bombeamento apresentam a maior vulnerabilidade aos reatores", disse a reportagem. "Se os reatores estivessem operando, por exemplo, a incapacidade de resfriá-los exigiria que fossem desligados".

Embora tenha havido mais inundação rio abaixo, ela não parece ter chegado à Planta de Enriquecimento de Urânio de Yongbyon, e até 11 de agosto as águas pareciam ter recuado um pouco, disse o 38 North.

A mídia estatal da Coreia do Norte não mencionou nenhum dano em Yongbyon, mas noticiou nesta semana que líderes de alto escalão estavam visitando áreas atingidas pela inundação, levando ajuda e oferecendo diretrizes sobre como impedir que as águas em elevação danifiquem as lavouras.

Coreia do Sul monitora situação

O Ministério da Defesa sul-coreano não quis comentar a reportagem do 38 North, mas disse que sempre está monitorando acontecimentos relacionados aos programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte e mantendo uma cooperação estreita com o governo dos Estados Unidos.

Em uma cúpula com o presidente norte-americano, Donald Trump, no Vietnã em 2019, o líder norte-coreano, Kim Jong Un, propôs desmantelar Yongbyon em troca do alívio de uma gama de sanções internacionais impostas à sua nação em reação aos seus programas de armas nucleares e mísseis balísticos.