Internacional China acusa canadenses de roubo de segredos de Estado e espionagem

China acusa canadenses de roubo de segredos de Estado e espionagem

Kovrig e Spavor foram detidos e acusados de colocar em perigo a segurança nacional do país, depois que o Canadá prendeu a executiva Meng Wanzhou

Executiva chinesa pode ser extraditada para os EUA

Executiva chinesa pode ser extraditada para os EUA

David Chang/EFE - 18.1.2019

As autoridades da China afirmaram nesta segunda-feira (4) que o canadense Michael Kovrig, detido na China, violou "gravemente" as leis chinesas, atuou como "espião" e "roubou segredos de Estado" através de outro canadense, o empresário Michael Spavor, que também está detido no país asiático.

Segundo a agência estatal "Xinhua", Kovrig, um diplomata canadense de licença que estava na China trabalhando para o laboratório de ideias International Crisis Group (ICG), recebia as informações de Spavor, seu principal contato na China.

As autoridades afirmaram que a China "é um país regido pelas leis e que tomará medidas para combater atos delitivos que minam sua segurança nacional" e acrescentaram que o país abordará o caso conforme a lei e garantirá plenamente os direitos legítimos dos dois detidos, segundo a agência estatal.

Kovrig e Spavor foram detidos pelas autoridades chinesas e acusados de colocar em perigo a segurança nacional do país, depois que o Canadá prendeu, a pedido dos Estados Unidos, Meng Wanzhou, diretora financeira da companhia de telecomunicações Huawei.

Apesar de a China ter evitado relacionar os dois casos, as detenções coincidiram no tempo com as "graves ameaças" que a China chegou a fazer contra o Canadá como medida de pressão para que o país não extraditasse Meng.

A diretora da Huawei foi detida em 1º de dezembro em Vancouver a pedido dos Estados Unidos, que a acusam de violar as sanções impostas contra o Irã.

A imprensa chinesa também repercutiu hoje a notícia de que Meng processará o governo canadense, as autoridades fronteiriças e a Polícia Federal por "violarem seus direitos constitucionais" após sua detenção.

Em janeiro, o Departamento de Justiça americano apresentou 13 acusações de fraude e conspiração contra a Huawei, duas companhias filiadas à gigante tecnológica e Meng por não respeitarem as sanções impostas por Washington.

A diretora da Huawei está atualmente em liberdade, após pagamento de fiança, não pode deixar sua mansão em Vancouver e terá que comparecer nesta quarta-feira diante da Suprema Corte da província da Colúmbia Britânica para iniciar o processo de extradição.