China ainda sofre efeitos da covid-19 três meses após início do surto

Dezenas de milhares doentes, mais de 3 mil mortes e economia com quedas drásticas abalam a potência mundial, que agora pensa em se recuperar

China chegou a fechar fábricas, comércio e pontos turísticos na crise

China chegou a fechar fábricas, comércio e pontos turísticos na crise

Reuters

A China foi o primeiro país a sofrer fortemente os impactos do coronavírus na economia, e ainda hoje se recupera dele. Três meses após o início do surto da covid-19 no país, os espaços públicos da província de Hubei (epicentro da pandemia) começam a ser reabertos, após o país ficar alguns dias sem registrar nenhuma contaminação local do coronavírus.

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Apesar de ser elogiada pelas medidas que conseguiram controlar o que parecia incontrolável, a China lida com perdas humanas monumentais. Até o momento, mais de 3.200 chineses perderam a vida após contraírem covid-19. O número de casos confirmados segue sendo o maior do mundo: mais de 81 mil.

A escolha pelos controles extremos e a paralisação de grande parte do país custou caro também para a segunda maior economia do mundo. Uma das maiores promessas de crescimento do PIB mundial, o país assistiu seus números despencarem com a drástica diminuição da atividade da indústria e de suas maiores cidades, além de fechar seus portos para a chegada de materiais importados e ficar impedido de exportar para evitar a propagação do vírus.

Mas após praticamentente parar o país, é ela que envia hoje ajuda para Itália, que já registra o maior número de mortes. Está também na linha de frente do desenvolvimento tanto de medicamentos como de uma vacina para parar a propagação do novo coronavírus.

Primeiros casos em novembro

Os primeiros casos de covid-19 foram registrados ainda em novembro de 2019. Mas em pouco mais de um mês, a doença obrigou o governo tomar medidas restritivas para conter a disseminação entre sua população de 1,4 bilhão de pessoas.

Um cenário de tragédia estava anunciado, contudo, as ações foram tão efetivas que chegaram a ser alvo de elogios por parte de organismos internacionais, como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o FMI (Fundo Monetário Internacional). 

Ainda em janeiro, mais de 2 mil pessoas estavam infectadas em Wuhan, epicentro do coronavírus, e os contágios diários ficavam na casa das centenas, além de começar a atingir outras cidades do país. Os números do contágio do coronavírus dobram a cada dia.  

A China, então, tomou medidas enérgicas como construiur dois hospitais exclusivos para tratar os pacientes de coronavírus em 10 dias e proibir os cidadãos de Wuhan de colocarem o nariz para fora de casa. Em fevereiro, os casos já chegavam a mais de 70 mil pessoas e mais de 1.600 mortos. 

Emergência internacional

A medida em que o coronavírus avançava, a China sofria os efeitos ecônomicos do baixo consumo interno e de indústrias e diversos setores parados. De acordo com a Reuters, em fevereiro deste ano, a economia da China se contraiu mais do que na época da crise financeira global de 2008. O período coincide com o pico da covid-19 no país, quando os casos estavam em mais de 70 mil.

Agora, aproximadamente 100 milhões de trabalhadores chineses voltaram ao trabalho após mais dois meses e meio parados. Só que entre janeiro e fevereiro, cerca de 5 milhões de pessoas perderam seus empregos na China. A expectativa é que alguns deles retornem até a metade de 2020.

Pela primeira vez em anos, o PIB do país deverá ter um crescimento negativo no primeiro trimestre de 2020.

Vice-primeiro-ministro chinês fala sobre retomada de empregos

Vice-primeiro-ministro chinês fala sobre retomada de empregos

Xinhua / Wang Ye

Na última semana, autoridades chinesas voltaram a se reunir para tratar do socorro às empresas e empregos. O premiê Li Keqiang afirmou que a prioridade é facilitar a recuperação dos negócios e garantir o emprego.

"A China continuará reduzindo a burocracia, melhorando os serviços do governo, desempenhando plenamente o papel positivo do empreendedorismo e inovação em massa e apoiando o desenvolvimento da Internet Plus e da economia de plataformas, em uma tentativa de oferecer mais oportunidades de emprego, empreendedorismo e flexibilidade de emprego", disse Li.

O governo aposta no relaxamento das restrições de circulação para retomar a economia, permitindo que as pessoas cheguem de volta aos postos de trabalho. Mas ainda faltará que o mundo esteja pronto para comprar e vender os bens e produtos chineses. Contudo, de acordo com a Associação de Portos da China, os motores estão aquecendo por lá, ainda que pouco em comparação com o período anterior ao coronavírus.

A operação dos principais portos do país aumentou um 1,1% com relação à semana anterior, e a construção de portos e os serviços de transporte de passageiros, que foram gravemente afetados no momento mais crítico da epidemia, já operam normalmente, segundo a associação.

Reabertura e volta ao normal

Nesta semana, as restrições de circulação começaram a ser reduzidas, bem como museus e pontos turísticos voltaram a abrir para o público. A muralha da China já pode ser visitada bem como vários museus, como o Mausoleu do Exército de Terracota.

Até o momento, 78 novos casos foram confirmados no país, dos quais 74 são importados. Pequim e Xangai registraram um caso de infectado de fora da China, enquanto as províncias de Hubei e Guangdong registraram um caso de transmissão local.

Autoridades locais estão em uma nova fase de prevenção e alertam que apesar de o pior já ter passado, ninguém deve se descuidar.