Internacional China anuncia suspensão da compra de produtos agrícolas dos EUA

China anuncia suspensão da compra de produtos agrícolas dos EUA

O anúncio eleva as tensões da guerra comercial que ambos os países travam. "Uma grave violação da reunião", diz China sobre a sobretaxas

Bolsas do mundo amargam disputa comercial não resolvida entre China e EUA

Bolsas do mundo amargam disputa comercial não resolvida entre China e EUA

EFE/EPA/JUSTIN LANE

A China anunciou a suspensão da compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos, como resposta ao recente anúncio de Washington que aumentará em 10% as tarifas sobre exportações chinesas avaliadas em US$ 300 bilhões.

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Em comunicado divulgado em seu site, o Ministério de Comércio chinês considerou este aumento tarifário, com efeitos a partir do próximo dia 1 de setembro, como "uma grave violação da reunião entre os chefes de Estado de China e EUA".

"Ficou acertado que a Comissão de Tarifas Alfandegárias do Conselho de Estado não vai descartar encargos à importação de produtos agrícolas dos EUA recentemente adquiridos depois do dia 3 de agosto, e as empresas chinesas relacionadas suspenderam a compra de produtos agrícolas americanos", diz o texto.

O Ministério de Comércio se vangloriou da enorme "capacidade de mercado" do país asiático e previu "perspectivas brilhantes para a importação de produtos americanos agrícolas de alta qualidade".

No entanto, deixou claro que estas "perspectivas brilhantes" dependem de que Washington "inicie o consenso da reunião entre os chefes de Estado de China e EUA, e tenha a confiança de pôr em prática os compromissos para criar as condições necessárias para a cooperação no setor agrícola entre ambos os países".

Este anúncio representa um nível a mais no aumento das tensões na guerra comercial que ambos os países travam desde o ano passado, e que entrou em um novo capítulo desde que, na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, anunciou as citadas medidas tarifárias, diante da falta de progresso nas negociações comerciais.

No que vários analistas consideraram uma resposta aos novos encargos decididos por Trump, o iuane chinês rompeu na segunda-feira a barreira psicológica de sete unidades por dólar, algo que não acontecia desde abril de 2008.

Um iuane mais fraco significa que os produtos chineses denominados em dólares sejam mais baratos, o que ajudaria a conter o efeito negativo das novas tarifas americanas sobre sua competitividade, embora o preço a ser pago seja um aumento do custo das importações.

A resposta a essa queda do valor do iuane veio em seguida, e na própria segunda-feira o Departamento do Tesouro dos EUA rotulou à China de país "manipulador de divisas", ameaçando com represálias para acabar com "suas injustas vantagens competitivas dentro do Fundo Monetário Internacional".