China dá proteção máxima a animal que pode ter passado o coronavírus

Pangolim, tido como iguaria por muitos chineses, terá cuidado ambiental igual ao do urso panda. Governo quer acabar com o abate do animal para consumo

Pangolim terá proteção máxima para tentar evitar abate e comércio ilegais

Pangolim terá proteção máxima para tentar evitar abate e comércio ilegais

Divulgação/Pixabay

A China anunciou uma lei que dará proteção ambiental máxima, de primeira classe, ao pangolim. De acordo com as teses mais aceitas até agora pelos cientistas, essa espécie teria sido a hospedeira intermediária que transmitiu, pela primeira vez, o coronavírus para seres humanos. Com a elevação, o pangolim passa a ter o mesmo status de cuidado reservado naquele país ao urso panda gigante.

A transmissão inicial para o homem teria ocorrido em um mercado da cidade chinesa de Wuhan onde a espécie e outros animais silvestres são vendidos como alimento. O pangolim é considerado iguaria na China e suas escamas são usadas em remédios para aumentar a lactação e contra a impotência, o que aumenta o interesse pelo abate. As autoridades pretendem criar um centro de pesquisa e um banco de genes para estudar melhor o animal.

Os pangolins teriam sido contaminados pelo coronavírus por uma espécie de morcego ou de cobra. A elevação da proteção ambiental foi justificada como forma de proteção para resgatar e reprimir o abate ilegal e o tráfico da espécie, informa a Xinhua, a agência oficial de notícias do governo chinês.

O pangolim é um dos mamíferos mais caçados do mundo. Segundo a rede de monitoramento de animais silvestres Traffic, cerca de um milhão teriam sido abatidos nos últimos dez anos. Vinte toneladas de partes desse animal são comercializadas anualmente por traficantes, acrescenta a organização.

As autoridades chinesas proibiram em 2007 o abate de pangolins não criados em cativeiro. E, em agosto de 2018, vetou por completo as importações comerciais do animal e de produtos vindos dele.

Mesmo assim, a população da espécie permanece em queda, por causa da destruição progressiva das regiões de vida e reprodução e das raras punições a quem mata pangolim retirado da natureza para comer.

No último mês de fevereiro, em meio à pandemia de coronavírus, as autoridades chinesas anunciaram leis severas de combate ao comércio ilegal de pangolins e outras espécies silvestres, junto a campanhas para tentar diminuir drasticamente ou mesmo acabar com hábito de usar esses animais como alimento naquele país.

A medida foi bem recebida por grande parte da população. Muitos pediram o aumento das punições a caçadores, traficantes e consumidores e a interrupção do uso das escamas em remédios. "Por favor: soltem os pangolins. Os humanos já têm muitas coisas para comer", escreveu um deles na internet.