China deixa de renovar credenciais de jornalistas dos Estados Unidos

Ministério da Relações Exteriores da China afirmou que a medida é uma resposta contra a não renovação do visto dos jornalistas chineses nos EUA

Hua Chunying disse que os jornalistas chineses não são tratados com justiça nos EUA

Hua Chunying disse que os jornalistas chineses não são tratados com justiça nos EUA

Reprodução/japantimes.co.jp

A China deixou de renovar as credenciais de imprensa dos correspondentes americanos que trabalham no país asiático. A medida é uma resposta contra uma decisão dos EUA de restringir os jornalistas da agência estatal de notícias Xinhua.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, o Clube de Correspondentes Estrangeiros da China (FCCC) disse estar "muito alarmado" pelo fato de que o Ministério das Relações Exteriores tenha "emitido cartas, em vez de credenciais de imprensa, o que deixa os jornalistas estrangeiros baseados na China em uma situação temporária e precária".

A entidade disse que "pelo menos cinco jornalistas de quatro veículos de comunicação dos EUA", incluindo correspondentes do "The Wall Street Journal" e da rede "CNN" estejam nesta situação.

De acordo com o FCCC, o Ministério das Relações Exteriores chinês alegou que as cartas acima mencionadas podem ser revogadas a qualquer momento, o que representa uma ameaça constante de expulsão.

"O governo chinês disse explicitamente que esta reação é uma resposta à expiração do visto, marcada para 6 de novembro, dos jornalistas chineses baseados nos Estados Unidos, muitos dos quais trabalham para a imprensa estatal chinesa", diz o comunicado.

'Olho por olho'

Por sua vez, a porta-voz principal do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, disse hoje que a pasta "ficaria feliz em continuar" sua "excelente cooperação com os jornalistas americanos, se os jornalistas chineses forem tratados com justiça nos Estados Unidos".

O clube de correspondentes estrangeiros pediu a Pequim para que deixe a política de "olho por olho" em um dos piores anos de liberdade de imprensa na China.

Somente no primeiro semestre de 2020, a China expulsou 17 jornalistas estrangeiros, e pelo menos outros 10 receberam penalidades de vários tipos, incluindo credenciamento por um mês, em vez do padrão de um ano.

O episódio se soma a uma atmosfera de animosidade em relação à imprensa estrangeira, cujos membros são monitorados e intimidados diariamente, uma tendência ascendente, de acordo com o último relatório das condições de trabalho do FCCC.