Internacional CIA usa história e humor para 'mostrar serviço' nas redes

CIA usa história e humor para 'mostrar serviço' nas redes

Como a agência de inteligência norte-americano passou a manter o público informado sem contar detalhes sigilosos das suas missões pelo mundo

CIA usa história e humor para 'mostrar serviço' nas redes

Perfil no Twitter é uma das principais 'armas' da CIA nas redes sociais

Perfil no Twitter é uma das principais 'armas' da CIA nas redes sociais

Latif Kassidi / EFE / 16.5.2019

Apesar do sigilo óbvio que cerca a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), o serviço de espionagem mais famoso do mundo ampliou a presença nas redes sociais, uma missão complexa que a equipe de comunicação do órgão tem cumprido com êxito ao misturar lições de história e humor.

"Uma das dificuldades é que não podemos falar de assuntos atuais. Não vamos comentar, claro, uma operação em andamento. Portanto, chegamos à conclusão que falar de fatos históricos nos permite abordar qual é a nossa missão", afirmou responsável pelas redes sociais da CIA, que preferiu se identificar apenas como Amanda.

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Amanda está na CIA há nove anos e há cinco faz parte da equipe de comunicação, sendo assim testemunha ocular da imersão do órgão no mundo digital. Houve um boom em 2014, quando perfis foram criados no Twitter e no Facebook. Agora, em 2019, a agência está no Instagram.

"Não podemos confirmar nem desmentir"

A primeira mensagem foi publicada no Twitter. A postagem já mostrava que o humor seria uma das armas da CIA para mostrar serviço nas redes sociais sem revelar muito sobre o trabalho do órgão.

"Não podemos confirmar nem desmentir que este seja nosso primeiro tweet", escreveu a CIA no dia 6 de junho de 2014.

Amanda diz que a regra é obedecer o lema extraoficial da CIA: "compartilhar o que podemos, proteger o que devemos".

Por que se expôr?

Mas por que a CIA decidiu se expor ao escrutínio público nas redes sociais? A responsável pelo trabalho ressalta duas funções. Primeiro, ampliar a confiança da população para a missão da agência. Depois, atrair pessoas para que elas desejem trabalhar no órgão.

"Um dos nossos principais objetivos é ganhar a confiança do povo americano para que as pessoas confiem nas nossas avaliações, nos nossos julgamentos e nas nossas informações", explicou Amanda.

"Temos nos dado conta que um dos principais obstáculos para a CIA é que as pessoas não se imaginam trabalhando aqui. Acham que farão um trabalho de James Bond, e a CIA não é isso", completou.

Transformar mensagem em tendência

A chefe do Departamento de Comunicação da CIA, que se identificou como Candice, explicou que leva em conta a capacidade de transformar uma mensagem em tendência nas redes sociais. Em caso positivo, a análise é se o conteúdo serve para ressaltar a missão do órgão.

"É um processo muito similar ao de qualquer redação de jornal. Todos revisamos, editamos e verificamos os dados", disse.

Usuário consulta a página da CIA no Facebook

Usuário consulta a página da CIA no Facebook

Rafael Salido / EFE / 16.5.2019

Apesar do processo minucioso, nem a CIA está isenta de algumas situações que deixariam aflito até mesmo um jornalista experiente.

Confusão nas redes

No dia 25 de junho de 2015, lembra Amanda, por causa do 65º aniversário do início da Guerra da Coreia, a equipe das redes sociais da CIA resolveu criar uma sequência de mensagens recontando os fatos como se eles estivessem ocorrendo em tempo real.

"Um dos tweets dizia algo do tipo: 'tropas, com tanques e artilharia, estão se reunindo no paralelo 38'. De repente, as pessoas começaram a responder coisas como: 'Deus, últimas notícias, tropas norte-coreanas estão em...'. Tive um momento de pânico", revelou Amanda, aos risos.

Outro dos grandes desafios da CIA é não poder se envolver em debates com os usuários. Para remediar, em parte, a falta de interação, a agência lançou em fevereiro a hashtag #AskMollyHale (Pergunte a Molly Hale) no Twitter. Assim, o público pode enviar suas dúvidas para o órgão, algumas delas bastante inusitadas.

"Molly Hale era um pseudônimo que usávamos para atender telefonemas ou responder cartas. Às vezes era uma única pessoa, outras vezes mais de uma. Certa vez foi um homem. Pensamos que seria interessante levá-la para a era digital", explicou Amanda

Entre os questionamentos curiosos feitos a Molly está um mistério que ainda tira o sono dos amantes dos jogos eletrônicos das décadas de 1980 e 1990: "Onde está Carmen Sandiego?"

Essa nem mesmo a CIA foi capaz de responder.