Internacional Cidade dos EUA pode ser a primeira a retirar estátua de presidente

Cidade dos EUA pode ser a primeira a retirar estátua de presidente

Após diversas cidades retirarem estátuas de pessoas ligadas à opressão racial, Califórnia vai derrubar monumentos por pressões de indígenas

Estátua, presidente, Califórnia

A estátua está desde 1906 na principal praça de Arcata

A estátua está desde 1906 na principal praça de Arcata

Wikimedia Commons / J Scott Shannon

Com pouco mais de 17 mil habitantes, a cidade de Arcata, na Califórnia, é tida como uma das cidades mais libertárias dos Estados Unidos. Foi a primeira a banir a venda de alimentos geneticamente modificados e a ter uma maioria de representantes do Partido Verde no conselho municipal. Agora, pode ser a pioneira em retirar a estátua de um presidente de suas ruas.

A réplica de bronze do presidente William McKinley, com 2,60 metros de altura, pode ser retirada da principal praça de Arcata nos próximos meses. A medida foi decidida, principalmente, por ação de lideranças indígenas da região, segundo o jornal Los Angeles Times.

McKinley, que foi presidente dos EUA de 1897 até ser assassinado em 1901, quando iniciava seu segundo mandato, nunca pisou na Califórnia, mas é acusado de ter apoiado fortemente a expansão do país para o oeste, por ter assinado uma lei que possibilitou a tomada de terras dos índios e a forte repressão contra eles.

A retirada da estátua ainda precisa passar por um processo de licença ambiental, deve levar oito meses e custar 65 mil dólares (cerca de 215 mil reais). As tribos de Arcata prometeram arrecadar o dinheiro para pagar o processo.

Monumentos retirados

A proposta de retirar a estátua do presidente é só o fato mais recente de uma tendência que vem se estabelecendo nos Estados Unidos, a remoção de monumentos que fazem referências a figuras históricas ligadas à opressão.

Desde a manifestação de supremacistas brancos em Charlottesville, na Virgínia, em agosto do ano passado, para protestar contra a remoção de uma estátua do general Robert E. Lee, principal figura militar do Sul escravocata dos EUA na Guerra Civil do século 19, dezenas de monumentos semelhantes foram removidos.

De início, os alvos foram as estátuas de figuras ligados à escravidão. Agora, especialmente na Califórnia, mas também em outros estados do Oeste norte-americano, o foco passou a ser contra monumentos que exaltam pessoas que agiram contra os nativos.

O governo de San Francisco já anunciou que vai retirar uma estátua que mostra um índio derrotado aos pés de um homem branco. No mês passado, a cidade de San José retirou a estátua de Cristóvão Colombo do prédio da prefeitura.

Na cidade de Kalamazoo, em Michigan, uma estátua que representa uma índia ajoelhada diante de um colonizador branco também está com os dias contados.

História de opressão

Arcata foi fundadada em meados do século 19, no início da expansão para o Oeste norte-americano. O território era dominado pelos índios Wiyot. Centenas de membros da tribo foram massacrados na década de 1860, e seus filhos eram levados para trabalhar nas casas dos brancos.

Em 1886, a cidade chegou a aprovar uma lei que previa a expulsão de todos os imigrantes chineses.

A estátua do presidente McKinley foi inaugurada em 1906, apenas cinco anos após sua morte.

Nos anos 70, as coisas mudaram e a cidade passou a receber hippies e a dar mais espaço para os nativos. Antes mesmo da liberação do cultivo da maconha na Califórnia, muitos fazendeiros da região já a plantavam normalmente.

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