Cidades dos EUA têm protestos apesar de toques de recolher

Cenas de violência, prisões, depredações e saques foram registradas na sétima noite de manifestações contra o racismo e a morte de George Floyd

Foram registrados saques e depredações de lojas durante protestos em Nova York

Foram registrados saques e depredações de lojas durante protestos em Nova York

Efe (1/6/20)

Os manifestantes não deixaram as ruas nos Estados Unidos na noite desta segunda-feira (1º) apesar do toque de recolher decretado em ao menos 40 cidades norte-americanas. Os protestos são uma resposta à morte de George Floyd, um homem negro desarmado por um policial branco em Minneapolis, no Estado de Minnesota, e à violência policial em relação às pessoas negras.

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Em Nova York, o toque de recolher entrou em vigor a partir das 23h (horário local – 22h em Brasília). Mas, segundo a CNN, os manifestantes não saíram das ruas e, ao cair da noite, os protestos, que começaram pacíficos, tomaram proporções violentas, com saques, incêndios e depredação de lojas, sobretudo em Manhattan, Bronx, SoHo e, em menor grau, em Midtown.

O senador Zellnor Myrie disse à CNN que foi algemado e preso e que policiais usaram gás de pimenta contra ele durante o protesto pacífico do qual ele participava no Brooklyn.

“Eu estava obedecendo às ordens, tentando proteger alguns dos manifestantes atrás de mim. Sendo complacente. Fui atingido nas costas por bicicletas empunhadas pelos policiais. Eu fui empurrado, borrifado com gás de pimenta e depois algemado. Simplesmente porque eu estava lá para protestar ", disse ele à CNN. Além do senador, houve outros registros de prisões na cidade.

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O prefeito Bill Di Blasio reconheceu que o toque de recolher da noite desta segunda-feira não conseguiu reprimir a violência e anunciou que a partir desta terça-feira (2) a determinação começa a vigorar três horas mais cedo, a partir das 20h (horário local).

Em Buffalo, também no Estado de Nova York, dois policiais ficaram feridos depois de ter sido atropelados por uma SUV que avançou contra os manifestantes. O motorista e um passageiro foram presos. Os policiais foram socorridos e passam bem, segundo o jornal The New York Times.

Protestos, prisões e confrontos em outras cidades

Na Califórnia, 40 pessoas foram presas por desrespeito ao toque de recolher em Oakland, assim como em Los Angeles apesar do caráter pacífico das manifestações.

Em Washington, um helicóptero do Exército dispersou dezenas de manifestantes na noite desta segunda-feira em uma manobra conhecida como “demonstração de força”. O helicóptero desceu ao nível dos telhados e chegou a derrubar árvores, que não atingiram ninguém. O uso do helicóptero aconteceu depois que o presidente Donald Trump afirmou que acionaria o Exército para sufocar as mobilizações.

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O discurso aconteceu no momento em que a polícia jogava gás lacrimogênio e bombas de efeito moral contra manifestantes que protestavam a alguns quarteirões da Casa Branca.

Em St. Louis, Missouri, ao menos quatro policiais foram atingidos por tiros durante marcha nesta segunda-feira.

“Tivemos quatro policiais atingidos por tiros esta noite. Todos foram transportados para um hospital da região. Todos estão conscientes e respirando. Acredita-se que seus ferimentos não sejam fatais ", informou o departamento de polícia local pelo Twitter.

A polícia de St. Paul, em Minnesota, prendeu 66 pessoas na noite desta segunda-feira durante um protesto pacífico em frente ao Capitólio do Estado de Minnesota. Os manifestantes se recusaram a obedecer o toque de recolher, iniciado às 22h (horário local).

Em Atlanta, na Georgia, também foram registradas as prisões de 77 pessoas nesta segunda-feira, depois que manifestantes e policiais entraram em conflito após o toque de recolher, iniciado às 21h (horário local). Os manifestantes foram dispersados com gás lacrimogênio. Com essas, as detenções em Atlanta chegam a 350 desde a última sexta-feira.

Em Dallas, Texas, o juiz Clay Jenkins permitiu que protestos pacíficos continuassem até as 22h (horário local), apesar da determinação do toque de recolher, estipulado a partir das 19h.

No entanto, o caráter pacífico do ato mudou quando os manifestantes chegaram a uma ponte na zona oeste da cidade. No local, estavam centenas de policiais, que os dispersaram com gás lacrimogênio e realizaram detenções.

Manifestações em outras partes do mundo

Os protestos contra a morte de George Floyd e a violência policial atravessaram as fronteiras dos Estados Unidos e chegaram a outras partes do mundo.

Nesta segunda-feira, cerca de 3.000 pessoas se reuniram em Amsterdã, na Holanda, para demostrar apoio aos atos norte-americanos. Em Paris, manifestantes com roupas pretas e máscaras ajoelharam no chão e exibiram cartazes com as frases “Não consigo respirar”, “Somos todos George Floyd” e “O racismo nos sufoca”.

No final de semana, foram registrados atos no Rio de Janeiro e em Londres. Há ainda manifestações em andamento ou sendo planejadas na Austrália, Alemanha, Irlanda e Grécia.

Supremacistas brancos pedem violência no Twitter

O Twitter informou que suspendeu uma conta de um grupo supremacista branco que se passou por antifascistas para incitar a violência e depredações em protestos nos Estados Unidos.

"Essa conta violou nossa política de manipulação de plataforma e spam, especificamente a criação de contas falsas", disse um porta-voz do Twitter em comunicado. "Agimos depois que a conta enviou um Tweet incitando a violência e violando as regras do Twitter", informou a rede social em comunicado.