Coalizão liderada pelos EUA vai retirar tropas do Iraque

Em carta a militares iraquianos, comandante das forças norte-americanas diz que saída 'respeita decisão' do Parlamento que expulsa militares estrangeiros

Soldado dos EUA monta guarda na embaixada norte-americana em Bagdá

Soldado dos EUA monta guarda na embaixada norte-americana em Bagdá

Divulgação via Reuters / 3.1.2020

A coalizão militar liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico disse nesta segunda-feira (6) que está se retirando do Iraque e vai reposicionar suas tropas nos próximos dias e semanas. A informação foi confirmada pela agência Reuters, que teve acesso a uma carta endereçada à Unidade de Operações Conjuntas do Iraque.

A decisão é anunciada após o Parlamento do Iraque aprovar um resolução exigindo a retirada de tropas estrangeiras do território iraquiano. A votação ocorreu neste domingo, dois dias após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani pelos EUA. O militar foi morto no aeroporto de Bagdá na sexta-feira, em um ataque ordenado pelo presidente americano Donald Trump.

"Senhor, em deferência à soberania da República do Iraque, e como solicitado pelo Parlamento iraquiano e pelo primeiro-ministro, a CJTF-OIR vai reposicionar suas forças nos próximas dias e semanas para se preparar para o movimento adiante", afirma a carta do brigadeiro dos fuzileiros navais William H. Seely 3º, comandante-geral da força-tarefa no Iraque.

'Respeitamos decisão do Iraque', diz carta

A autenticidade da carta, endereçada à unidade de operações conjuntas em Bagdá do Ministério da Defesa do Iraque, foi confirmada à Reuters de forma independente por uma fonte militar iraquiana.

Um porta-voz do Pentágono disse que não podia comentar de imediato a autenticidade da carta.

"Respeitamos sua decisão soberana de determinar nossa saída", afirma a carta.

Iraque propôs ação conjunta para retirar tropas

Mais cedo, o primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul Mahdi, disse ao embaixador dos Estados Unidos em Bagdá, Matthew Tueller, que os dois países devem trabalhar juntos na implementação da resolução parlamentar.

"O primeiro-ministro enfatizou a importância da cooperação mútua na implementação da retirada de tropas estrangeiras, em linha com a resolução do Parlamento iraquiano, e no estabelecimento de relações com os Estados Unidos em uma base adequada", informou o gabinete do premiê em comunicado.

"Ele enfatizou o quão perigosa é a situação no momento e suas possíveis consequências, acrescentando que o Iraque está fazendo tudo o que pode para impedir que isso resulte em uma guerra aberta."

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