Internacional Colômbia prende ex-líder da Farc por acusação de tráfico dos EUA

Colômbia prende ex-líder da Farc por acusação de tráfico dos EUA

Seusis Hernández conspirou para exportar 10 toneladas de cocaína no valor de U$320 milhões para os Estados Unidos, segundo procurador-geral

Reuters
Seusis Hernández tomaria posse como deputado em junho

Seusis Hernández tomaria posse como deputado em junho

Reuters/Jaime Saldarriaga/16.11.2017

A Colômbia prendeu um futuro congressista do partido marxista Farc devido a acusações de tráfico de drogas na segunda-feira (10), informou o governo, causando revolta no antigo grupo rebelde que se desmobilizou no ano passado.

Seusis Hernández, que tomaria posse em julho, conspirou para exportar 10 toneladas de cocaína no valor de U$320 milhões (equivalente a mais de R$1 bilhão) para os Estados Unidos, disse o procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, em um pronunciamento televisionado ao lado do presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

Um júri do distrito sul de Nova York indiciou Hernández, conhecido pelo codinome Jesus Santrich, e três outros na semana passada, disse Martínez.

"O procurador-geral me informou que, em resultado de uma investigação rigorosa, tem provas vigorosas e conclusivas que mostram a responsabilidade de Seusis Hernández, conhecido como Jesus Santrich, por crimes de tráfico de drogas cometidos após a assinatura do acordo", afirmou Santos, referindo-se ao acordo de paz de 2016 entre a Farc e o governo.

"Os detidos traíram os valores e os princípios do acordo de paz", segundo Martínez.

Hernández ficará sob custódia até o pedido de extradição dos EUA ser formalizado, disse o procurador-geral. O Departamento de Justiça não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Pelos termos do pacto, a Farc tem direito a 10 cadeiras no Congresso até 2026, uma das quais o partido entregou a Hernández.

A prisão foi criticada pela Farc, que disse se tratar de uma ataque ao processo de paz. Não ficou claro se a antiga guerrilha pretende substituir Hernández e por quem.

"Este é o pior momento que o processo de paz já atravessou", disse a Farc no Twitter. "O governo deveria agir e impedir que armadilhas judiciais levem a acontecimentos assim, que causam grande desconfiança."

Crimes cometidos por membros da Farc durante a guerra devem ser julgados por um tribunal especial, mas aqueles cometidos após a desmobilização estão sujeitos aos procedimentos judiciais normais, que incluem a possibilidade de extradição.  

A Farc manteve suas iniciais, mas foi rebatizada como Força Alternativa Revolucionária do Comum ao se tornar um partido político.

O grupo expressou várias vezes o temor de ser visado por assassinos e perseguido pelas autoridades agora que se desmobilizou, e diz que mais de 50 correligionários e familiares foram mortos desde que o pacto de paz foi assinado.

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