CRISE HUMANITÁRIA
Internacional Com impulso de venezuelanos, aumentam pedidos de asilo na UE

Com impulso de venezuelanos, aumentam pedidos de asilo na UE

Países europeus viram crescer também chegada de colombianos e solicitações de refúgio de cidadãos de El Salvador, Honduras, Nicarágua e Peru

Venezuelanos na UE

REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/14.06.2019

O número de pessoas que buscam asilo político na União Europeia voltou a subir, impulsionado por refugiados latino-americanos, mas espera-se que os fluxos continuem bem abaixo dos altos níveis observados durante a crise migratória da Europa em 2015, de acordo com um levantamento divulgado nesta segunda-feira (24).

Nos primeiros cinco meses deste ano, os países da Área Europeia de Livre Comércio (EFTA), que incluem todos os 28 países da UE, mais a Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, registraram mais de 290.000 pedidos de refúgio, um aumento de 11% em comparação com o mesmo período em 2018, disse a agência da UE para os refugiados, o Gabinete Europeu de Apoio ao Asilo (EASO).

O aumento foi em parte causado por uma onda de venezuelanos e outros solicitantes de asilo latino-americanos que estão fugindo de crises políticas e econômicas em seus países, disse o EASO.

Os venezuelanos apresentaram cerca de 18.400 pedidos de asilo de janeiro a maio, aproximadamente o dobro do número de pedidos de asilo em 2018, o que os torna a nacionalidade com o segundo maior número de pedidos na Europa, depois dos sírios.

A Venezuela está passando por um colapso econômico, desencadeado por uma prolongada crise política, que resultou na maior crise migratória na história recente da América do Sul, com cerca de 3 milhões de venezuelanos que, segundo estimativas, fugiram do país nos últimos anos. A maioria deles vai para os países vizinhos da Venuezuela.

Os países europeus registraram também um aumento nas chegadas de colombianos e mais pedidos de asilo de cidadãos de El Salvador, Honduras, Nicarágua e Peru, disse o EASO.

Isso causou um aumento de quase 50% de pedidos na Espanha no ano passado, quando a nova tendência se consolidou, já que a maioria dos venezuelanos que se dirigem à Europa busca refúgio no país com o qual compartilham idioma e herança.

Por sua vez, a Espanha tornou-se um dos maiores receptores de pedidos de asilo da UE, quase tantos quanto a Itália, que estava entre os países que mais sofreram com a crise de 2015. A Itália viu as chegadas diminuírem pela metade no ano passado depois de introduzir controles fronteiriços mais rigorosos.

A Alemanha continua sendo de longe o país que mais recebe pedidos na Europa, apesar de seu número ter caído 17% no ano passado, para quase 185.000. A França é a segunda e viu em 2018 um aumento de 21% nos pedidos para cerca de 120.000, o nível mais alto registrado na França até o momento.

Em 2015, a Europa experimentou seu maior aumento na migração desde a Segunda Guerra Mundial, motivada pelo afluxo de refugiados da guerra civil na Síria e um aumento significativo em número de outras áreas do Oriente Médio e da África atormentadas por conflitos e privações.