Coronavírus

Internacional Com variante Delta, Austrália vive 'momento crítico' da pandemia

Com variante Delta, Austrália vive 'momento crítico' da pandemia

Desde que foi detectada, em meados deste mês, cepa já infectou 130 pessoas em Sydney e vem se espalhando para o resto do país

  • Internacional | Da EFE

Sydney voltou a adotar restrições em tentativa de conter a nova onda de covid-19

Sydney voltou a adotar restrições em tentativa de conter a nova onda de covid-19

Joel Carrett / EFE - EPA - 27.6.2021

A Austrália enfrenta um "momento crítico" da pandemia da covid-19 devido a uma "nova fase" ligada à variante Delta, que já provocou um confinamento em sua cidade mais populosa, Sydney, e que se estende a outras regiões do país.

Desde a eclosão da segunda onda na Austrália em meados de 2020, causada por falhas nos protocolos de segurança dos centros de quarentena de Melbourne, o país oceânico, reconhecido por várias organizações por sua boa gestão da pandemia, não enfrentava uma situação de tal gravidade.

"Este é um momento crítico", disse o ministro do Tesouro, Josh Frydenberg, em entrevista à emissora pública "ABC" antes da reunião de emergência do comitê de resposta à covid-19, após a detecção de 60 infecções comunitárias em todo o país entre domingo (27) e esta segunda-feira (28).

Para Frydenberg, o surto detectado em meados deste mês em Sydney, confinada junto com as localidades de seus arredores até 9 de julho, representa "uma nova fase da pandemia", causada pela variante "mais contagiosa e perigosa" do coronavírus.

De Sydney ao resto do país

Desde que foi detectada, em meados deste mês em um motorista que transportava os tripulantes de um vôo internacional, a variante Delta acumula neste novo surto 130 infecções na cidade, e afeta também o restante do estado de Nova Gales do Sul assim como os de Queensland, Austrália Ocidental e o Território do Norte.

A chefe do governo de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, alertou jornalistas em Sydney nesta segunda-feira após relatar as 18 novas infecções locais, 15 delas ligadas ao motorista, e ressaltou que a população deve estar preparada "para que os números aumentem consideravelmente".

O vírus também atingiu a cidade de Perth, onde dois casos positivos ligados ao surto de Sydney foram detectados desde domingo, forçando o governo da Austrália Ocidental a impor um bloqueio na região de Pell e Peel nesta segunda-feira.

A detecção de casos com a variante delta em uma mina do Território do Norte também fez com que essa jurisdição, que acumula sete infecções, estendesse o confinamento de Darwin e arredores até a próxima sexta-feira, três dias a mais do que o anunciado na véspera.

O estado de Queensland também relatou um caso com a variante Delta em um trabalhador de mineração que viajou ao longo da turística Sunshine Coast, forçando as autoridades a apertar as medidas contra a covid-19 e considerar a possibilidade de um novo confinamento.

Uma fera diferente

A reviravolta em uma situação que até agora parecia controlada se deve à irrupção da variante Delta, que, segundo o vice-presidente da Associação Médica Australiana, Chris Moy, "derrotou os rastreadores de contato de Nova Gales do Sul e a confiança neles, o que, junto com a demora (no confinamento) de alguns dias, fez com que se espalhasse por todo o país".

"É uma fera diferente. Você tem que ir forte contra isso, realmente essa será nossa melhor chance", recomendou o médico em declarações ao jornal "Sydney Morning Herald", em um momento em que as críticas são ferozes contra a lentidão na ordem de confinamento, o programa de vacinação e as estratégias de quarentena para viajantes internacionais.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, anunciou novas medidas nesta segunda-feira, incluindo a obrigação de vacinar os trabalhadores do setor de assistência a idosos e transporte internacional de passageiros, que deveriam ser imunizados até meados de setembro.

Além disso, Morrison indicou que testes adicionais de covid-19 serão realizados em viajantes e seus contatos próximos dois a três dias após deixar o hotel em quarentena.

A situação preocupante fez com que a Nova Zelândia suspendesse até terça-feira sua bolha de viagens sem quarentena com a Austrália, um país que perderá pelo menos cerca de US$ 1,5 bilhão com as duas semanas de confinamento em Sydney.

A Austrália, cujas autoridades associam todos os surtos a repatriações do exterior, acumula cerca de 30.500 infecções, incluindo 910 mortes, e vacinou mais de seis milhões de residentes, dos quais 1,2 milhão já completou o esquema de vacinação.

Um estudo governamental publicado nesta segunda-feira indica que a Austrália sofrerá os efeitos econômicos e demográficos da pandemia por pelo menos 40 anos, em decorrência da "desaceleração do crescimento populacional" influenciada, entre outras causas, pelo envelhecimento da população e pelo baixo índice da taxa de natalidade que foi exacerbada durante a pandemia de covid-19.

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