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Internacional Como funciona 'passe de imunidade' criado no Chile?

Como funciona 'passe de imunidade' criado no Chile?

País tem uma das campanhas de vacinação mais rápidas do mundo e é o primeiro da América Latina a implementar sistema

  • Internacional | Da EFE

Chile tem uma das campanhas de vacinação mais eficientes do mundo

Chile tem uma das campanhas de vacinação mais eficientes do mundo

Ivan Alvarado/Reuters - 20.5.2021

Um dos países com o maior percentual da população vacinada contra a covid-19 em todo o mundo, o Chile habilitou um cartão que concede mais liberdades aos imunizados, uma medida pioneira que ainda está cercada de perguntas depois de mais de uma semana em vigor.

Trata-se do chamado "passe de mobilidade", que foi anunciado pelo presidente Sebastián Piñera como um cartão que pode ser obtido por aqueles que foram vacinados. Desde que passou a valer, já sofreu várias mudanças devido a um aumento nos casos de covid-19.

A questão é: que liberdades ele concede? As grandes festas em Israel, o primeiro país a implementar uma identificação para pessoas vacinadas, ou um Madison Square Garden lotado em Nova York, uma cidade que está implementando uma medida semelhante, são imagens que levaram muitos a questionar o alcance do cartão chileno.

Não é uma carta branca

Levou um dia após o anúncio presidencial para que as autoridades sanitárias fornecessem mais detalhes sobre a medida. O ministro da Saúde, Enrique Paris, enfatizou que o passe "não é uma carta branca de liberdades", afastando a ilusão de um retorno à normalidade.

No entanto, ele esclareceu que será útil para deslocamentos em áreas onde há quarentenas em vigor e permitirá viagens entre cidades, algo que ficou proibido durante meses, e que de acordo com os últimos anúncios do governo só pode ser feito por aqueles que estão em áreas que não estão em confinamento total.

Uma semana após a implementação, muitos cidadãos chilenos ainda têm dúvidas sobre seus benefícios.

Reuniões devem ter no máximo 30 pessoas

Reuniões devem ter no máximo 30 pessoas

Ivan Alvarado/Reuters - 24.5.2021

Lotação de espaços mantida

O Ministério da Saúde chileno disse à Agência Efe que o passe "não modifica em nada a capacidade de pessoas" em locais onde ela foi estabelecida no plano governamental que está em vigor desde o início da pandemia, e que impõe medidas diferentes em cada cidade ou bairro, dependendo de sua situação epidemiológica.

"Medidas individuais de autocuidado também são mantidas para aqueles que estão vacinados, como o uso de máscaras ou distanciamento social", acrescentou a pasta.

Segundo o governo, as reuniões tanto em casas como ao ar livre devem ser de no máximo 30 pessoas nos melhores cenários epidemiológicos.

A maioria das cidades continua com confinamentos parciais e, independentemente da vacina, manterá a capacidade interna em bares e restaurantes em 25% e só permitirá reuniões de 5 a 15 pessoas tanto em ambientes fechados quanto ao ar livre.

Viajar sim, mas não como antes

O passe também permitirá deslocamentos entre diferentes regiões do Chile em qualquer dia da semana desde que não estejam em quarentena, mas sempre "respeitando as restrições às atividades associadas ao local onde você está", esclareceu o Ministério.

Este é um dos anúncios mais aguardados - as áreas costeiras próximas à capital já foram visitadas por milhares de turistas. Mesmo assim, ninguém estará isento do cumprimento das regras em vigor na localidade de destino, e nas praias será obrigatório que todos usem máscara, exceto para entrar na água.

O toque de recolher, que está em vigor das 22h às 5h em todo o país, também não será modificado.

Além disso, o passe de mobilidade não funcionará como um "passaporte de vacinação": ele não será usado para viajar para outros países e só trará benefícios dentro do território chileno.

Mais de 8 milhões de vacinados já tem acesso ao passe

Mais de 8 milhões de vacinados já tem acesso ao passe

Ivan Alvarado/Reuters - 25.5.2021

Como obtê-lo?

O Chile, com 19 milhões de habitantes, é o segundo país do mundo com a maior porcentagem de população inoculada com duas doses (53%), atrás apenas de Israel, de acordo com dados da Universidade de Oxford.

Dos 10,8 milhões de pessoas que já completaram a programação de vacinação, mais de 8 milhões obtiveram o passe, que é baixado, a partir de 14 dias após a última dose, na forma de um QR code em uma plataforma estatal, após um simples registro.

No centro das atenções

Algumas vozes, especialmente dos setores turístico e hoteleiro, elogiaram este cartão, que é encarado como um alívio para os cidadãos após as rigorosas quarentenas.

No entanto, ele também recebeu críticas de numerosos especialistas que alegam que ele não foi criado no momento epidemiológico certo: um dia depois de ter sido habilitado, o Chile novamente superou 8 mil casos diários de covid-19, o maior número desde março, quando o país estava à beira do colapso sanitário.

"Tanto em Israel quanto em Nova York o passe foi criado em um cenário epidemiológico melhor. Aqui estamos longe desse cenário, e essa medida pode nos trazer muito mais complicações do que benefícios", afirmou à Efe o secretário geral do Colégio Médico do Chile (Colmed), José Miguel Bernucci.

Na última semana, tanto os contágios como as internações em unidades de terapia intensiva, que mantêm uma taxa de ocupação acima de 95% em todo o país, e quase 99% na capital, aumentaram apesar do processo rápido de vacinação.

"Os números nos dizem que devemos ser mais cautelosos e esperar. Ainda há incertezas sobre a circulação de variantes", acrescentou Nicolás Muena, virologista da fundação chilena Ciência e Vida.

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