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Internacional Confinamento afetou saúde mental no Reino Unido, diz estudo

Confinamento afetou saúde mental no Reino Unido, diz estudo

Pesquisa mostra que, durante o lockdown contra a pandemia, que durou de março  a junho, britânicos tiveram aumento de problemas de depressão

  • Internacional | Da EFE

Neil Hall / EFE - EPA - 17.10.2020

O confinamento total decretado em março deste ano no Reino Unido para conter o avanço do novo coronavírus causou um "grande impacto" na saúde mental da população do país, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (21), que detectou um aumento de pensamentos suicidas por parte dos cidadãos.

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A pesquisa realizada por uma equipe da Scottish University of Glasgow, que foi publicada nesta quarta pelo "British Journal of Psychiatry", analisou em detalhes as consequências do lockdown nacional que esteve vigente durante o auge da pandemia de covid-19.

Sintomas foram piorando

Os cientistas descobriram que as primeiras semanas de confinamento afetaram muito o estado mental e o bem-estar dos britânicos, e que os grupos mais propensos a desenvolver transtornos desta natureza são os jovens e as mulheres.

No entanto, os piores casos nessas fases iniciais do lockdown foram registrados não só em adultos de entre 18 e 29 anos e em mulheres, mas também em indivíduos de meios socialmente desfavorecidos, além de pessoas que já haviam apresentado distúrbios anteriormente.

Os especialistas, liderados pelo professor Rory O'Connor, identificaram, ainda, um aumento de pensamentos suicidas durante este período por parte de 9,8% dos 3.077 indivíduos que participaram da pesquisa, todos maiores de idade.

Apesar disso, foi detectada uma diminuição de outros fatores associados a tais pensamentos, como sintomas de ansiedade, níveis de derrota e sensação de estar preso.

Já os sintomas de depressão e solidão permaneceram relativamente estáveis, apesar de seu impacto negativo.

Os pesquisadores indagaram os britânicos que participaram do estudo não só sobre problemas de saúde mental anteriores, pensamentos suicidas, depressão e solidão, mas também a respeito de tentativas de suicídio e automutilação, ansiedade e sentimento de derrota ou de estar preso.

Para chegar aos resultados apresentados, os cientistas se concentraram em três intervalos de tempos diferentes e descobriram que, entre 31 de março e 11 de maio de 2020, os homens tinham níveis mais baixos de sintomas depressivos do que as mulheres.

Eles também concluíram que os pensamentos suicidas aumentaram com o passar do tempo e que foram maiores entre os adultos jovens.

Nesse sentido, O'Connor considerou que "embora a maioria das pessoas não tenha manifestado nenhum pensamento suicida, esse aumento em tão curto período de tempo é preocupante".

"Os níveis de ansiedade diminuíram durante o mesmo período, mas estão relacionados ao passado, enquanto os pensamentos suicidas tem a ver com o futuro", acrescentou o especialista.

Para ele, isso sugere que "a enorme incerteza social e econômica associada à covid-19 pode fazer com que algumas pessoas se sintam desesperadas".

"No entanto, não há evidências de que a taxa de suicídio esteja aumentando", ressaltou O'Connor.

Por outro lado, um em cada quatro participantes do estudo experimentou, pelo menos, níveis moderados de sintomas depressivos.

O Ministério da Saúde britânico anunciou que vai aumentar o investimento em serviços que lidam com transtornos mentais, com uma verba adicional de 10,2 milhões de libras (cerca de R$ 75 milhões) destinada a organizações que oferecem suporte a adultos e crianças.

"Estamos totalmente empenhados em apoiar a saúde mental de todos e os serviços do NHS (sistema público de saúde) foram adaptados para continuarem a fornecer apoio durante a pandemia, incluindo consultas virtuais", afirmou um porta-voz do Ministério da Saúde da Inglaterra.

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