Novo Coronavírus

Internacional Conflitos e pandemia impedem ensino de crianças indígenas no México

Conflitos e pandemia impedem ensino de crianças indígenas no México

Disputa de terra e risco de infecção e contágio do coronavírus fechou escolas no país, e educação por rádio tem falhas durante transmissão

Violência e pandemia fez com que centenas de crianças ficassem em casa

Violência e pandemia fez com que centenas de crianças ficassem em casa

Carlos López/EFE - 17.9.2020

María Luciana Lunes, de 13 anos, ainda está se recuperando depois de ter sido baleada por grupos paramilitares em um conflito armado no sudeste mexicano que, combinado com a pandemia do novo coronavírus, deixou centenas de crianças indígenas em Chiapas, no México, sem ter como estudar.

A menina contou à Efe que ela e seus sete irmãos passam a maior parte do tempo no abrigo do município de Aldama, onde vivem sob vigilância de paramilitares devido aos conflitos agrários com a cidade de Chenalhó, que não tem escola para crianças com idade entre o primário e o secundário.

Grupos armados nos limites de Santa Martha causam um clima de terror em 13 comunidades, que paralisou todas as atividades, inclusive a educação, explicou a representante dos deslocados da comunidade de Aldama, Rosas Santiz.

Mesmo com aulas transmitidas pelo rádio, indígenas têm dificuldades para estudar

Mesmo com aulas transmitidas pelo rádio, indígenas têm dificuldades para estudar

Carlos López/EFE - 17.9.2020

Conflito e pandemia

Os ataques em Aldama foram agravados por quatro anos pela disputa de uma terra de 60 hectares com o município de Chenalhó.

E de fato, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, prometeu na quinta-feira (17) que o subsecretário de Direitos Humanos do Ministério do Interior, Alejandro Encinas, apresentaria um relatório sobre o conflito de Aldama na sexta-feira.

Soma-se ao conflito que já existia agora a pandemia do novo coronavírus, que deixou cerca de 72 mil mortos e cerca de 680 mil casos no país, e por isso as famílias preferem esperar para continuar com a educação de seus filhos.

A maioria nem pensa em ingressar no programa Aprende em Casa, com o qual o Ministério da Educação Pública (SEP) oferece educação no rádio e na televisão desde 23 de março, quando começou o confinamento.

“Faz mais de dois anos que mal estudam, não aprendem, pobres crianças, já cresceram sem saber ler”, diz María Jiménez, uma das mulheres de um grupo de mães indígenas, que têm entre cinco e nove filhos cada uma.

Embora o SEP prometesse conteúdo em 24 línguas indígenas, as mulheres que falam tzotzil notam deficiências nos programas, dificultando o ensino.

Conflitos armados já atingiram 13 comunidades

Conflitos armados já atingiram 13 comunidades

Carlos López/EFE - 17.9.2020

Violência e esperança

Os conflitos armados deixaram seis mortos e 21 feridos, incluindo três menores, de 2017 até o momento, de acordo com os moradores.

A rivalidade entre o Santa Martha, em Chenalhó, e as comunidades Aldama, começou na década de 1970, embora as duas comunidades tenham firmado acordos por muito tempo.

No entanto, o Governo criou o Programa de Certificação de Direitos Ejidais e Titularidade de Terras (Procede) para fazer novos planos para o patrimônio comunal, com o qual uma parcela das terras que pertenciam à Aldama ficou com o Santa Martha.

Em meados de 2016, os conflitos se intensificaram na área de fronteira, que ainda está sob ataque permanente, a ponto de forçar o deslocamento de famílias das comunidades de Xuxch'en, Coco', Tabak, San Pedro Cotzilnam, Sepelton, Yoc Tontik, Yeton , Ch'ivit, Stzelejpotobtik, Juxton e Ch'ayomte'.

A violência desses confrontos foi combinada com os perigos de infecção e contágio da pandemia.

Isso deixou jovens como Eduardo Galdino Pérez, que está no terceiro ano do ensino médio do Colégio de Bachilleres (Cobach), na incerteza. Eduardo agora se dedica apenas ao tricô com os dois irmãos para ajudar no sustento da família. O adolescente conta à Efe que passa os dias sem parar de tricotar, na esperança de que a nova doença e as balas parem.

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