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Internacional Congelar ajuda militar à Ucrânia é 'loucura', diz diplomata americano

Congelar ajuda militar à Ucrânia é 'loucura', diz diplomata americano

Em depoimento no Congresso, embaixador interino dos EUA na Ucrânia critica medida de Trump para forçar o país a investigar o ex-presidente Joe Biden

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Bill Taylor em depoimento no Congresso dos EUA

Bill Taylor em depoimento no Congresso dos EUA

Michael Reynolds / EPA - EFE - 13.11.2019

O embaixador interino dos Estados Unidos na Ucrânia, Bill Taylor, classificou nesta quarta-feira (13) como "loucura" a decisão do presidente americano, Donald Trump, de congelar a ajuda ao governo ucraniano em troca de uma investigação sobre a família do ex-presidente Joe Biden.

Taylor, em conversa por mensagens de texto, já havia rotulado essa decisão como "loucura", mas enfatizou o posicionamento durante depoimento aberto na audiência de impeachment contra Trump que acontece no Congresso dos EUA.

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"Escrevi que reter a assistência de segurança em troca de ajuda para uma campanha política nos EUA seria uma loucura. Era o que eu pensava antes e o que penso agora", frisou.

Depoimentos no Congresso

Na Ucrânia desde junho, Taylor é uma das primeiras testemunhas a comparecer às audiências públicas da investigação da Câmara dos Representantes que pode resultar no impeachment de Trump. Em meio a uma grande expectativa midiática, os depoimentos começaram nesta quarta-feira.

O diplomata argumentou que a decisão de Trump de supostamente condicionar a entrega de US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) em ajuda militar à Ucrânia a um compromisso de Kiev de investigar Biden era uma "loucura" devido à "agressão russa" sobre a Ucrânia desde 2014, quando a Rússia anexou a península da Crimeia.

Taylor descreveu como "confusa" e "estranha" a política externa dos Estados Unidos em relação à Ucrânia sob o governo de Donald Trump.

"Parece que tinham dois canais para a formulação de políticas dos EUA e a implementação delas: um regular e outro altamente irregular", comentou.

O canal "regular" era integrado, entre outros, por Marie Yovanovitch, que até maio foi embaixadora dos EUA na Ucrânia e que supostamente saiu do cargo por pressões de Trump.

Diplomacia "irregular"

Entretanto, o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, estava a cargo da via "irregular" junto a outros funcionários, que se encarregavam de pressionar o governo ucraniano para que abrisse uma investigação por corrupção sobre Hunter Biden, um dos filhos do ex-vice-presidente e que tinha assessorado a companhia de gás ucraniana Burisma.

Por um lado, o canal "regular" pedia ao governo ucraniano reformas em energia e segurança, enquanto pela via "irregular" queria falar da conexão entre um encontro na Casa Branca e as investigações ucranianas, destacou Taylor.

De acordo com o diplomata, Trump havia condicionado a ajuda militar à Ucrânia ao agendamento de uma reunião na Casa Branca entre Trump e o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski.

Também presta depoimento nesta quarta-feira George Kent, subsecretário de Estado adjunto encarregado da política para a Ucrânia e que foi o "número 2" da missão no país europeu entre 2015 e 2018. Kent foi muito crítico em relação à atitude de Trump, mas evitou mencioná-lo.

"Não creio que os EUA devam pedir a outros países que façam investigações e julgamentos seletivos de caráter político contra seus rivais no poder porque tais ações minam o estado de direito independentemente do país", destacou.