Internacional Congresso dos EUA começa a investigar invasão do Capitólio

Congresso dos EUA começa a investigar invasão do Capitólio

Congressistas terão acesso, em primeira mão, aos relatos dos policiais que foram atacados pelos agitadores em janeiro deste ano

AFP
Capitólio foi invadido por apoiadores de Donald Trump em 6 de janeiro deste ano

Capitólio foi invadido por apoiadores de Donald Trump em 6 de janeiro deste ano

Shannon Stapleton/Reuters - 06.01.2021

Um painel do Congresso dos Estados Unidos começa, nesta terça-feira (27), a investigação sobre a invasão do Capitólio, em um ambiente hiperpolitizado que ameaça minar os esforços para entender o que provocou o ataque de 6 de janeiro de 2021.

Seis meses depois que uma multidão de apoiadores do então presidente Donald Trump invadiu a sede política da democracia americana, naquele que foi o pior ataque à Legislatura desde a guerra de 1812, o público americano ouvirá o primeiro depoimento sobre esta data, dado a um comitê seleto que também gera polêmica partidária em Washington.

Os legisladores receberão em primeira mão os relatos dos policiais atacados pelos agitadores que invadiram o Congresso, à procura, por exemplo, da presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e que tentaram impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Este processo está sendo caótico, porém. 

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A liderança republicana da Câmara boicotou o comitê. Na semana passada, retirou seus cinco candidatos, depois que a democrata Pelosi tomou a iniciativa sem precedentes de rejeitar dois dos indicados pelo líder da minoria, Kevin McCarthy. 

Em vez de formar um painel apenas com democratas, Pelosi nomeou unilateralmente dois republicanos: Liz Cheney e Adam Kinzinger.

Ambos são fortes críticos de Trump e votaram a favor de seu "impeachment" em janeiro passado, após os distúrbios. Além disso, foram censurados pelas fileiras republicanas por se recusarem a endossar as alegações infundadas de Trump sobre roubo e fraude eleitoral.

Tanto Pelosi como outros membros do Congresso queriam compor uma comissão bipartidária independente para investigar a revolta e sua origem, seguindo o modelo daquela que conduziu as investigações após os atentados de 11 de setembro de 2001.

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Os republicanos se preocupam, no entanto, com o potencial prejuízo da investigação pouco antes das eleições de meio de mandato, em 2022.

E, pelo fato de o próprio Trump não ter expressado nenhum interesse em questões relacionadas aos distúrbios, o partido começou a organizar seus esforços para se opor à investigação dos eventos de 6 de janeiro.

Os republicanos do Senado bloquearam a formação da comissão, argumentando que várias investigações já haviam chegado a conclusões sobre o motim e que as centenas de prisões feitas renderam informações suficientes sobre o ocorrido.

O partido tentou, então, questionar a credibilidade do comitê escolhido por Pelosi, que é acusada por McCarthy de "fazer política" enquanto as tensões partidárias aumentam no Capitólio. 

"Nunca na história dos Estados Unidos o presidente da Câmara de Representantes elegeu membros do outro lado. Então, eles estão predeterminando o que acontece" com a investigação, acusou McCarthy na segunda-feira (26).

Também ridicularizou Liz e Kinzinger, ao chamá-los de "republicanos da Pelosi", dizendo ainda que os dois candidatos republicanos rejeitados pela líder democrata - os congressistas Jim Banks e Jim Jordan - "têm o direito" de participar do painel.

A presidente da Câmara de Representantes havia aprovado as outras três nomeações de McCarthy, que, no entanto, decidiu retirá-las após a rejeição de Banks e Jordan.

Agora, Pelosi insiste em que o comitê siga em frente - com, ou sem, o compromisso republicano.

"Temos que, mais uma vez, ignorar as travessuras daqueles que não querem descobrir a verdade", disse ela à emissora ABC no domingo (25).

"Encontraremos a verdade. E essa verdade terá a confiança do povo americano, porque será feita de forma patriótica e apartidária", completou.

Policiais que foram física e verbalmente agredidos enquanto defendiam o Capitólio participarão da audiência desta terça-feira.

A violenta insurreição terminou com cinco mortos e dezenas de policiais feridos.

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