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Internacional Contágios locais por coronavírus em Gaza vão de 4 a 80 em apenas 3 dias

Contágios locais por coronavírus em Gaza vão de 4 a 80 em apenas 3 dias

Após seis meses de trabalho de contenção, a Faixa de Gaza viu o número de casos de covid-19 aumentar 20 vezes desde a última segunda-feira (24)

Para conter o surto, 
Gaza adotou medidas como uso de máscaras e quarentena

Para conter o surto, Gaza adotou medidas como uso de máscaras e quarentena

Mohammed Saber / EFE - EPA - 27.6.2020

Gaza registrou nesta quinta-feira (27) mais 65 infecções locais e chegou a 80 casos desse tipo do novo coronavírus, depois que os quatro primeiros casos internos foram detectados no enclave na última segunda-feira, o que quebrou quase seis meses de um trabalho bem feito para evitar que a pandemia atingisse o território.

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Apenas na tarde desta quinta foram detectados mais 40 contágios, evidências de que a pandemia está se espalhando internamente. A faixa está em alerta há três dias, quando o movimento islamista Hamas ordenou o confinamento da população e o fechamento de todas as lojas e empresas, exceto as essenciais.

Até então, 105 casos haviam sido detectados em Gaza, mas todos eles eram de pessoas chegando do exterior que estavam sendo mantidas em centros de quarentena na fronteira, de modo que o vírus não se espalhou no enclave bloqueado.

Temor de um surto

Ontem, duas pessoas morreram devido ao vírus no território, no qual apenas uma mulher de 77 anos havia sido vítima do vírus SARS-CoV-2 nos últimos seis meses, em maio. Agora, o número total de mortes por covid-19 é três, e total de contaminados, 192.

Autoridades, agências de saúde e organizações humanitárias temem que a situação se agrave por causa dos escassos recursos médicos do enclave. Gaza está sob um forte bloqueio israelense desde 2007, quando o Hamas tomou o poder, e seu precário sistema de saúde poderia ser rapidamente dominado se o vírus se espalhasse entre seus 2 milhões de habitantes.

A faixa tem 97 respiradores, de acordo com seu Ministério da Saúde, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma estimativa que aponta que os hospitais locais têm apenas cerca de 350 leitos para tratar os infectados. Contudo, o número pode aumentar se os recursos forem postos em prática à medida que a taxa de doença aumenta.

Todos os 13 hospitais públicos do enclave estão em estado de emergência, e todos os trabalhadores da área estão sob um plano de choque projetado pelo Departamento de Saúde.

Mas a falta de leitos de terapia intensiva, suprimentos e equipamentos médicos e eletricidade — agravada por uma recente proibição israelense de entrada de combustível, em retaliação ao lançamento de foguetes e balões incendiários —preocupa as autoridades, que estão pedindo ajuda para evitar o colapso.

"Gaza enfrenta uma realidade complicada pela profunda escassez de suprimentos médicos e testes de coronavírus, algo extremamente necessário para enfrentar esta crise", declarou hoje o porta-voz da Saúde, Ashraf al Qedra, à Agência Efe

Ele pediu ações urgentes de organismos locais, regionais e internacionais para deter uma rápida propagação da pandemia na área, uma das mais povoadas do mundo.

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