Aquecimento Global
Internacional COP-23 tem avanços, mas países ainda precisam aumentar metas

COP-23 tem avanços, mas países ainda precisam aumentar metas

Corte de emissões e finanças apresentadas até hoje têm que ser maiores

COP-23 tem avanços, mas países ainda precisam aumentar metas

Ativistas protestam contra as emissões de carbono

Ativistas protestam contra as emissões de carbono

Wolfgang Rattay/REUTERS - 17.11.2017

A COP-23 (23ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima) terminou nesta sexta-feira (17) após duas semanas de debate intenso para definir as regras do Acordo de Paris, criado em 2015 e assinado por 196 países, e para iniciar as discussões sobre o aumento das metas para conter o aquecimento global.

O evento realizado em Bonn, na Alemanha, avançou na elaboração de um livro de regras claro e abrangente sobre o Acordo de Paris. Esse manual deve ser concluído em 2018, na COP-24, que será realizada na Polônia.

Apesar dos avanços deste ano, ainda é fundamental que os países aumentem suas metas de combate às mudanças do clima, diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.

— Bonn cumpriu a sua promessa, mas não atendeu às necessidades do planeta. Previa-se uma COP técnica, desinteressante, e foi exatamente isso. O processo foi resgatado de uma possível reabertura da fissura entre ricos e pobres países, mas, infelizmente, a atmosfera não se preocupa com o processo.

Com as metas que estão na mesa hoje, o mundo está no rumo de esquentar de 3°C a 5°C, muito mais do que a meta de conter o aquecimento global em menos de 2°C, antes de 2100.

— O que precisamos agora é mais ambição em cortes de emissões e finanças, e isso esteve fora da mesa. Enquanto isso, a janela para evitar o aquecimento global de 1,5 grau está se fechando rapidamente.

O Diálogo Talanoa, também apresentado em Bonn, prevê que os governos revejam suas metas em intervalos regulares. Até 2020, os países terão que aumentar suas metas e ações, inclusive o Brasil, que não teve uma participação interessante na COP-23, segundo Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

— O Brasil sai desta conferência com a estampa do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Somos importantes nas negociações, mas nossas políticas internas, que ameaçam as florestas e seus povos e dão grandes subsídios para energias poluentes, são um exemplo real de tudo o que o mundo não precisa neste momento.

Segundo Ana Toni, diretora do Instituto Clima e Sociedade, outro ponto positivo da COP-23 foi que representantes de energias sujas ou de combustíveis fósseis “foram praticamente ignorados”.

— Eles estavam ausentes dos debates do futuro energético. O que vimos foi uma competição forte e saudável dos representantes das energias renováveis, como bioenergia, eólica, pequenas hidros ou solar.

A COP-24 acontecerá de 3 a 14 de dezembro de 2018, em Katowice, na Polônia.