Coreia do Norte
Internacional Coreia do Norte cancela reunião com Sul e coloca em dúvida encontro com Trump

Coreia do Norte cancela reunião com Sul e coloca em dúvida encontro com Trump

País liderado por Kim Jong-un chama de 'provocação' exercícios militares conduzidos pela Coreia do Sul em conjunto com as forças armadas dos EUA

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 Caças sul-coreanos em base americana na cidade de Gunsan; Coreia do Norte fala que exercícios militares são 'provocação'

Caças sul-coreanos em base americana na cidade de Gunsan; Coreia do Norte fala que exercícios militares são 'provocação'

Getty Images

A Coreia do Norte cancelou um encontro entre representantes de alto escalão com a Coreia do Sul, que ocorreria nesta quarta-feira.

A justificativa foi a realização de exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos - ações que a agência de notícias oficial do regime, a KCNA, classificou como uma "provocação" e um ensaio para uma invasão.

O cancelamento coloca em dúvida também os planos de um encontro histórico entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente americano, Donald Trump. O encontro está agendado para 12 de junho em Singapura.

Em março, Trump surpreendeu o mundo ao aceitar um convite de Kim.

"Nós dois trataremos de fazer deste um momento especial para a Paz Mundial", escreveu, na época, o presidente americano no Twitter.

Após o cancelamento da agenda entre as Coreiais, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que vai manter as preparações para o encontro entre Trump e Kim. O órgão diz não ter tomado conhecimento de qualquer mudança na posição norte-coreana para o encontro.

O que foi cancelado pela Coreia do Norte?

A reunião desta quarta-feira seria a continuação de uma rara cúpula entre as nações, que teve lugar no último dia 27 de abril.

A previsão era de que ela ocorresse em Panmunjom, um complexo militar em uma zona desmilitarizada entre as duas Coreias - frequentemente chamada de "cidade da trégua".

Encontro estava previsto para acontecer em Panmunjom

Encontro estava previsto para acontecer em Panmunjom

Reuters

A ideia seria discutir detalhes de alguns acordos firmados na cúpula.

Eles incluem livrar a península de armas nucleares e tornar o armistício que encerrou a Guerra da Coreia em 1953 um tratado de paz.

Outros pontos alinhados na cúpula foram:

Um fim às "atividades hostis" entre as duas nações;

A transformação da zona desmilitarizada que divide o país em uma "zona de paz";

A redução no volume de armas na região;

O estímulo a negociações envolvendo também os EUA e a China.

Por que isto é preocupante?

Exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul há tempos irritam a Coreia do Norte.

No passado, o país liderado por Kim Jong-un ameaçou conduzir uma "ofensiva total" em resposta aos exercícios e os classificaram como derramar "gasolina em chamas".

Exercícios militares recentes envolveram cerca de 100 aviões de guerra

Exercícios militares recentes envolveram cerca de 100 aviões de guerra

Getty Images

Os exercícios mais recentes - conhecidos como Max Thunder - envolvem cerca de 100 aviões de guerra, incluindo um número não especificado de bombardeiros B-52 e jatos F-15K.

O Norte os descreveu como uma "provocação" e uma preparação para uma futura invasão, algo que já foi dito anteriormente.

Mas os EUA e a Coreia do Sul sempre insistiram que os exercícios têm puramente fins de defesa e são baseados em um acordo de defesa mútua assinado em 1953.

Eles também dizem que os exercícios são necessários para fortalecer sua prontidão em caso de um ataque externo.

Como ficam as conversas entre Trump e Kim?

Depende para quem você pergunta.

A Coreia do Norte deixou os EUA em alerta quando anunciou que cancelaria a reunião com a Coreia do Sul nesta quarta-feira.

"Os Estados Unidos também terão que conduzir deliberações cuidadosas sobre o destino da planejada cúpula entre a Coreia do Norte e os EUA, à luz desse provocativo tumulto militar conduzido em conjunto com as autoridades sul-coreanas", disse um comunicado da KCNA.

A correspondente da BBC na Coreia do Sul, Laura Bicker, afirma que o texto mostrou que a Coreia do Norte está lançando dúvidas sobre a reunião - mas não dizendo que ela está prestes a ser cancelada.

Mas os EUA foram rápidos em resistir a qualquer sugestão de que houvesse dúvidas sobre a programação.

"Vamos continuar planejando a reunião", disse uma porta-voz do Departamento de Estado a repórteres logo depois da notícia do cancelamento da reunião entre as Coreias.

Ela acrescentou que os EUA não receberam "qualquer notificação" de uma mudança na posição do Norte.

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