Internacional Coreia do Norte confirma teste com míssil hipersônico 

Coreia do Norte confirma teste com míssil hipersônico 

Lançamento contou com a presença do líder Kim Jong-un e foi o segundo feito pelo país em menos de uma semana

AFP
Teste de míssil hipersônico feito pela Coreia do Norte

Teste de míssil hipersônico feito pela Coreia do Norte

AFP/KCNA - 11.01.2022

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, supervisionou pessoalmente o lançamento bem-sucedido de um míssil hipersônico, informou a agência oficial de notícias norte-coreana KCNA, nesta quarta-feira (12).

Depois do teste, Kim estimulou o país a "acelerar seus esforços para reforçar, progressivamente, seu arsenal estratégico-militar, tanto em qualidade, quanto na quantidade, e a prosseguir com a modernização do Exército", reportou a KCNA.

Este foi o segundo lançamento do tipo feito pelo país dotado de armas nucleares em menos de uma semana.

O míssil, que levava uma "ogiva hipersônica deslizante (...) atingiu um alvo, com precisão, a 1.000 km", reportou a agência KCNA, acrescentando que este teste "confirmou ainda mais a excelente capacidade de manobra da unidade de combate hipersônico".

Fotos divulgadas no site do Rodong Sinmun, jornal oficial do Partido dos Trabalhadores no poder, mostram o disparo do míssil na madrugada sob o olhar do dirigente norte-coreano, cercado de homens vestindo uniformes militares.

Kim Jong-un conversa com militares durante observação do teste de um míssil hipersônico

Kim Jong-un conversa com militares durante observação do teste de um míssil hipersônico

AFP/KCNA - 11.01.2022

"A capacidade de manobra superior do veículo de deslizamento hipersônico foi ainda mais fortemente testada no último lançamento de teste", relatou a KCNA.

Outras imagens no Rodong Sinmun mostram o míssil disparado no solo ao amanhecer, em meio a chamas e fumaça, enquanto Kim discute com oficiais militares.

Trata-se do terceiro teste relatado de um míssil hipersônico pela Coreia do Norte, após um em setembro de 2021, e outro, na semana passada.

A defesa sul-coreana considerou que este disparo atingiu uma velocidade hipersônica e que mostra claramente o "avanço" em relação ao da semana passada.

Os mísseis hipersônicos voam à velocidade Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som) e até superior a isso e podem mudar de rumo em pleno voo, dificultando sua detecção e interceptação.

O míssil voou 700 km a uma altitude de 60 km à velocidade Mach 10 (dez vezes a velocidade do som), informou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul.

Rússia, Estados Unidos e China disseram que já testaram com sucesso ogivas hipersônicas, e a Rússia é considerada líder mundial desta tecnologia.

Nos dez anos de Kim no poder, a Coreia do Norte viu avanços rápidos em sua tecnologia militar, o que levou à imposição de sanções internacionais ao país.

Os mísseis hipersônicos são a "prioridade máxima" em seu plano de cinco anos para ter armas estratégicas.

"A presença de Kim Jong-un no teste do míssil sugere que o nível de avanço do míssil hipersônico atingiu um patamar satisfatório", declarou Lim Eul-chul, professor de estudos norte-coreanos da Universidade Kyungnam, em Seul.

Já o professor Leif-Eric Easley, da Universidade Ewha, em Seul, considera que "a chamada arma hipersônica não está tecnologicamente pronta para seu uso". Ainda assim, acrescenta ele, "a capacidade de Pyongyang de ameaçar seus vizinhos continua crescendo".

Diálogo paralisado


O teste da última terça-feira (11) se deu em meio a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para debater o programa de armas de Pyongyang.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, afirmou que o lançamento "viola diversas resoluções do Conselho de Segurança".

A Coreia do Norte tem rejeitado todos os convites de Washington para dialogar e Kim prometeu continuar fortalecendo a capacidade militar do país em uma reunião do partido no poder, em dezembro.

O diálogo entre Washington e Pyongyang segue paralisado e a Coreia do Norte enfrenta diversas sanções internacionais devido a seus programas de mísseis balístico e nuclear.

A nação empobrecida também permanece sob um rígido bloqueio sanitário devido ao coronavírus, que atingiu sua economia.

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