Coreia do Norte
Internacional Coreia do Norte sofre com pior seca em 37 anos

Coreia do Norte sofre com pior seca em 37 anos

O país registrou uma média de 54,4 milímetros de chuva, o menor nível desde 1982, quando a média foi de 51,2 milímetros no mesmo período

Coreia do Norte sofre com pior seca durante em 37 anos

Falta de chuvas pode aumentar a escassez de alimentos

Falta de chuvas pode aumentar a escassez de alimentos

Damir Sagolj/Reuters - 30.9.2011

A Coreia do Norte vive a pior seca durante a primavera no hemisfério norte dos últimos 37 anos, de acordo com um alerta feito nesta quarta-feira (15) pelos veículos de imprensa locais, que assinalaram que a falta de chuvas pode aumentar a escassez de alimentos no país.

A Coreia do Norte registrou uma média de 54,4 milímetros de chuva entre janeiro e o começo de maio, o menor nível desde 1982, quando a média foi de 51,2 milímetros no mesmo período, informou a agência de notícias estatal KCNA.

A agência acrescentou que em locais como as cidades autônomas de Pyongyang e Nampo, e nas províncias de Hwanghae Norte, Hwanghea Sul e Gangwon, não choveu nos primeiros dez dias de maio.

Essas regiões compõem praticamente a totalidade da área cultivável da Coreia do Norte, onde o relevo montanhoso faz com que menos de 20% do território seja bom para o plantio.

40% da população enfrenta escassez de alimento

Na terça-feira, o jornal Rodong pediu que a população faça um esforço para prevenir, na medida do possível, os efeitos da seca.

Acredita-se que a falta de chuvas pode piorar a situação de escassez que o país enfrenta, como foi revelado em um recente relatório divulgado pela FAO e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).

O documento indica que, devido ao pior rendimento agrícola em uma década, mais de 10 milhões de norte-coreanos (40% da população) enfrentam uma iminente escassez de alimentos, especialmente de junho a outubro, antes da colheita do outono.

O diretor-executivo do PMA, David Beasley, reiterou sua preocupação com a situação na segunda-feira em Seul, onde se reuniu com representantes do governo sul-coreano, que expressaram a intenção de fornecer ajuda alimentar ao Norte antes de setembro.

Por outro lado, as últimas informações procedentes da Coreia do Norte indicam uma queda no preço do arroz, o alimento básico no país, que parece contradizer a escassez iminente.

Por exemplo, as listas de preços básicos publicada a cada duas semanas pelo jornal digital sul-coreano Daily NK — cuja redação é integrada por desertores norte-coreanos que contam com muitos contatos dentro do país — mostram que o preço do quilo de arroz caiu entre 15% e 18% desde janeiro nos mercados.

No entanto, relatos recentes de grupos humanitários e ONGs presentes no país falam de bacias hidrográficas secas e grandes perdas nas plantações, em linha com o que indicam os meios de comunicação norte-coreanos e os relatórios da ONU.