Coronavírus: Israel aprova uso de tecnologia para espionar infectados

A proposta do governo interino de Benjamin Netanyahu, que conta com aval dos serviços de segurança local, abre debate sobre o direito à privacidade

Proposta do governo de Benjamin Netanyahu abre discussão sobre privacidade

Proposta do governo de Benjamin Netanyahu abre discussão sobre privacidade

Brendan McDermid / Reuters - 28.1.2020

A Procuradoria-Geral de Israel deu sinal verde, neste domingo (15), para o uso de tecnologia de espionagem para rastrear as pessoas infectadas com o novo coronavírus no país do Oriente Médio. A proposta do governo interino de Benjamin Netanyahu abre um debate sobre o direito à privacidade. 

Uma comissão parlamentar ainda precisa aprovar a medida, no entanto, ela já conta com o aval dos serviços de segurança local. 

"Depois de receber pedidos do primeiro-ministro e do Ministério da Saúde, todas as autoridades estão estudando a possibilidade de usar as capacidades tecnológicas do Serviço Geral de Segurança no âmbito do esforço nacional para impedir a propagação da epidemia de coronavírus", disse um porta-voz do serviço de inteligência interna. 

O procurador-geral, Avijai Mandelblit, aprovou hoje o uso desses métodos pela Polícia sob a supervisão do Ministério da Justiça, o que permitiria rastrear telefones celulares para monitorar os movimentos dos infectados, mas esclareceu que a medida teria limitações na duração e uso das informações coletadas.

No sábado (14), juntamente com o anúncio de novas restrições de circulação em todo o país, que tem apenas 200 casos de infectados e nenhuma morte registrada pelo vírus, Netanyahu disse que havia pedido à Justiça que aprovasse essas medidas.

Ele reconheceu que "não são medidas menores. Elas representam um certo grau de violação da privacidade dessas pessoas, das quais verificaremos com quem elas entraram em contato quando estavam doentes e o que fizeram antes disso. É uma ferramenta eficaz para localizar o vírus."

Medida é criticada

A Autoridade de Proteção à Privacidade do país se opôs a aprovação, considerando uma medida extrema, e o líder do partido pacifista de Meretz, Nitzan Horowitz, exigiu a anulação.

"Em seguida, mirar e monitorar cidadãos com a ajuda de bancos de dados e tecnologia sofisticada pode resultar em uma violação grave da privacidade e das liberdades civis básicas", e é por isso que "é proibido em países democráticos", denunciou.

Israel tomou medidas rígidas nas últimas semanas para impedir a disseminação do coronavírus, que hoje atingiu o pico de cinquenta novos casos diagnosticados em um país de cerca de 9 milhões de pessoas.