Covid-19 ameaça santuário de macacos resgatados de Camarões

Além da exposição dos primatas ao novo coronavírus, o santuário também corre risco devido ao fato de metade da sua receita ter evaporado

Primatas de santuário em Camarões correm risco

Primatas de santuário em Camarões correm risco

Hugh Kinsella Cunningham / EFE/EPA - 06.03.2020

Todas as manhãs, Malaika, uma primata mandril de 18 anos do oeste do Camarões que tem pelo negro espesso e um focinho vermelho e rosa inconfundível, recebe uma vitamina para proteger seus sistema imunológico de uma possível exposição ao coronavírus.

Mas a ameaça representada pelo vírus à Malaika, que foi resgatada pelo Centro de Vida Selvagem de Limbe 15 anos atrás quando alguém tentou vendê-la como animal de estimação, vai muito além da infecção em si.

O centro, que abriga centenas de gorilas, chimpanzés e outros primatas, viu metade de sua receita evaporar nos últimos meses, quando as visitas ao parque foram canceladas e doadores norte-americanos e europeus com menos fundos congelaram suas contribuições em reação à pandemia de covid-19.

Sem uma retomada do financiamento dentro dos próximos três meses, o centro, uma parceria do governo camaronês e uma fundação internacional, pode ser obrigado a fechar as portas, disse Guillaume Le Flohic, gerente do parque.

"A ração animal - precisamos arrecadar dinheiro para isso. Se não tivermos dinheiro, não podemos pagar a ração", explicou, acrescentando que o centro viu suas despesas dispararem por causa da necessidade de medidas de biossegurança.

Camarões registrou mais de 1.600 casos de covid-19, o maior surto da África central.

Pressões financeiras semelhantes estão sendo sentidas em reservas e institutos de conservação de toda a África, onde o dinheiro do turismo e as doações estrangeiras normalmente custeiam os esforços para proteger os animais mais ameaçados do continente dos caçadores clandestinos e da perda de habitat.