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Internacional Covid: mortes em 2021 superarão total de 2020 em 3 semanas

Covid: mortes em 2021 superarão total de 2020 em 3 semanas

Segundo a OMS, número de infecções relatadas desde o início deste ano já ultrapassou o registrado no primeiro ano da pandemia

  • Internacional | Da EFE

Um casal chorando pela morte de uma mulher, sepultada em um cemitério do Rio de Janeiro

Um casal chorando pela morte de uma mulher, sepultada em um cemitério do Rio de Janeiro

Antonio Lacerda/EFE - 06.04.2021

As mortes causadas pela covid-19 em 2021 superarão o total de óbitos registrados com relação à doença em todo o ano de 2020 dentro de três semanas, se o ritmo atual for mantido, afirmou nesta segunda-feira (24) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Além disso, o número de infecções relatadas desde o início de 2021 já ultrapassou o registrado no primeiro ano da pandemia, segundo acrescentou o chefe da OMS.

Tedros também advertiu que, embora tenha havido uma terceira semana consecutiva de casos em declínio, "a situação global é muito frágil e nenhum país pode dizer que é seguro."

A ameaça de variantes

O diretor-geral da OMS lembrou que até agora nenhuma das variantes do coronavírus original afetou as vacinas ou tratamentos utilizados, mas salientou que ninguém pode garantir que continuará sendo assim.

"O vírus está em constante mutação e isto pode tornar ineficazes os instrumentos dos quais dispomos. Temos de ser claros que a pandemia não acabou e não terminará até que a transmissão esteja sob controle em todos os países", ressaltou.

Desigualdade de acesso às vacinas

Tedros disse ainda que o acesso desigual às vacinas ameaça perpetuar a pandemia, uma vez que três em cada quatro doses inoculadas até agora estão concentradas em apenas 10 países.

"Um pequeno número de países que fabricam e compram a maioria das vacinas controla o destino do resto do mundo", observou.

Segundo estimativas da OMS, se a administração de vacinas tivesse sido mais equitativa desde o início, as 1,5 bilhão de doses inoculadas até agora teriam protegido todos os trabalhadores da saúde e grupos de risco do planeta.

"Poderíamos estar em uma situação muito melhor", declarou Tedros, ressaltando que os países que começaram a vacinar crianças e pessoas de baixo risco "estão a fazê-lo à custa dos trabalhadores da saúde e das pessoas vulneráveis de outros países".

Na abertura da assembleia, que será realizada até 1º de junho, também foi anunciado que pelo menos 115 mil trabalhadores de saúde morreram devido ao coronavírus.

Objetivos

Tedros também comentou que o consórcio Covax, que a OMS e outras organizações estão utilizando para tentar garantir acesso a vacinas para países com poucos recursos, já distribuiu 72 milhões de doses a 125 países.

"No entanto, essas doses foram suficientes apenas para imunizar cerca de 1% da população desses países", lamentou.

Tendo isto em conta, o diretor-geral da OMS fixou como objetivo na assembleia que, até setembro, pelo menos 10% da população de todos os países do planeta deveria ter sido vacinada, e que esta percentagem deveria atingir 30% até o final do ano.

"Isso significa que até setembro precisamos de vacinas para imunizar mais 250 milhões de pessoas em países de baixo e médio rendimento", destacou.

Para atingir estes objetivos, Tedros apelou aos países desenvolvidos membros da OMS para continuarem a doar doses ao Covax para que nenhuma seja desperdiçada, e também às empresas farmacêuticas para se comprometerem a doar metade da sua produção anual de vacinas a este programa de distribuição solidária.

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