Coronavírus

Internacional Covid: União Europeia ameaça barrar exportações de vacinas

Covid: União Europeia ameaça barrar exportações de vacinas

Em conflito com produtoras de imunizantes contra a covid-19, o bloco ameaçou retaliações para receber os remédios comprados

  • Internacional | Do R7, com Reuters

A vacinação contra a covid-19
 está atrasada em diversos países da Europa

A vacinação contra a covid-19 está atrasada em diversos países da Europa

Dado Ruvic/Reuters - 11.1.2020

O conflito entre a União Europeia e farmacêuticas como a AstraZeneca se intensificou nesta quinta-feira (28), quando o bloco ameaçou ações legais e até mesmo bloquear as exportações de fábricas que ficam em seu território para que as companhias forneçam as quantidades de vacinas contra o novo coronavírus que constam nos seus contratos.

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Diversos países europeus estão com as campanhas de vacinação atrasadas devido ao atraso no envio das doses. Centros de imunização na Espanha, Alemanha e França já precisaram suspender a aplicação porque estão sem as vacinas.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, escreveu em uma carta para líderes do bloco que a União Europeia deveria explorar meios legais para garantir os lotes das vacinas que constam nos contratos se as negociações com as farmacêuticas não derem resultado.

"Se nenhuma solução satisfatória for encontrada, acredito que deveríamos explorar todas as opções e fazer uso de todos os meios legais e medidas de proteção que os tratados nos proporcionam", ressaltou Michel.

De acordo com uma fonte da UE ouvida pela agência Reuters, as regras de monitoramento e autorização de exportação do bloco podem acarretar em uma retenção de lotes, casos eles violem os acordos existentes entre os países europeus e os fabricantes. A Comissão Europeia vai divulgar os critérios para analisar essas exportações na sexta-feira.

O CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, disse que a União Europeia demorou para assinar o contrato, por isso a empresa não teve tempo suficiente para solucionar problemas de produção em uma fábrica terceirizada na Bélgica.

A vacina, produzida pela empresa em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, ainda não teve seu uso aprovado no bloco europeu. Nesta quinta, o comitê alemão que analisa o imunizante disse que ele deveria ser aplicado apenas a pessoas de 18 a 64 anos, por falta de dados sobre os efeitos em pacientes com mais de 65.

Agendamentos cancelados

Na região de Hauts-de-France, no norte francês, a segunda área com maior densidade populacional do país, vários centros de vacinação não estão mais fazendo agendamentos para a primeira dose. Em outros locais, os sites de agendamento não estão disponíveis.

Na Espanha, a região autônoma onde fica Madri suspendeu a vacinação pelo menos até a próxima semana e está usando o que resta de seu estoque para aplicar as segundas doses nas pessoas que já receberam a primeira, disse um representante do governo regional, Ignacio Aguado.

O estado mais populoso da Alemanha, a Renânia do Norte-Vestfália, adiou a abertura de seus centros de vacinação até 8 de fevereiro. Por sua vez, o estado de Brandenburgo, que tinha o início da campanha marcado para o fim deste mês, também precisou mudar a data devido a atrasos nas entregas.

De acordo com um jornal alemão, a AstraZeneca vai propor um plano detalhado de distribuição para a União Europeia nesta sexta. A reportagem também afirma que a farmacêutica não conseguirá entregar as 80 milhões de doses esperadas para o primeiro trimestre deste ano, mas que a quantidade ficará bem acima dos 31 milhões que estão sendo especulados.

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