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Internacional Cuba inicia campanha de vacinação com seu próprio imunizante

Cuba inicia campanha de vacinação com seu próprio imunizante

Primeiras doses de Abdala, uma das vacinas em desenvolvimento na ilha, começaram a ser aplicadas em idosos em Havana

Idosos aguardam em posto para receber a vacina Abdala em Havana

Idosos aguardam em posto para receber a vacina Abdala em Havana

Yamil Lage / AFP - 12.5.2021

“A picada, no momento, me deu uma ardenciazinha”, mas “me sinto muito bema”, explica Cecilia Reyes, de 69 anos, após receber a primeira dose da Abdala, um dos dois projetos de vacinas contra a covid-19 mais avançados de Cuba e com os quais Havana iniciou a imunização da população.

Leia também: Cuba conclui ensaios clínicos de candidata a vacina contra covid-19

A ilha, que concebeu e desenvolveu seus próprios antígenos contra o coronavírus, apressou-se nesta semana para iniciar a campanha de imunização em populações de risco, antes de concluir os testes clínicos de suas vacinas candidatas.

Esse tipo de campanha antes do final dos testes é conhecido como intervenção de saúde pública.

As autoridades médicas planejam autorizar em junho o "uso de emergência e/ou registro condicional" para a Abdala e a Soberana 2 e, assim, continuar com a imunização em massa.

"Leve queimação"

Sentada em um banco na entrada do consultório onde foi vacinada em Regla, na zona leste da capital, Reyes, hipertensa, cardiopata e asmática, passa uma hora sob vigilância médica, conforme estabelece o protocolo de vacinação. Ela ainda está um pouco nervosa e não consegue parar de falar.

Ela reclama apenas de uma leve queimação no local da injeção. “Me sinto muito bem, não tive nada (nenhuma reação) e agora vou trabalhar, vou fazer umas batatas recheadas”, disse a dona de casa à AFP.

Também aguardando a ordem de voltar para casa, e sem sofrer nenhuma reação adversa, Ana María Cabrera (74) destaca que estava "ansiosa por este momento", pois não esconde sua preocupação "por todos os casos (de coronavírus)" que o país está relatando diariamente.

“Eles vão nos dar duas doses da Abdala e a terceira será de Soberana 2”, explica Cabrera, reproduzindo o que o médico lhe explicou na entrevista inicial, na qual também indagou sobre seus males, os medicamentos que toma e ouviu os detalhes do processo.

O pequeno país tem uma longa história de vacinas: sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, Cuba começou a desenvolver seus próprios remédios na década de 1980. Das 13 vacinas de seu programa de imunização, oito são produzidas localmente.

A campanha começou nesta quarta-feira em quatro municípios da capital, incluindo Regla, com os projetos de vacinas Abdala e Soberana 2, os mais avançados dos cinco que a ilha possui.

Cuba já realizou testes de intervenção com estas duas vacinas candidatas, mas em menor escala.

"Nem medo", "nem preocupação"

Na capital do país, de 2,1 milhões de habitantes e atual epicentro local da pandemia, um primeiro grupo de 778.398 pessoas será vacinado entre maio e julho, e outro de 928.627, entre junho e agosto, conforme anunciado sábado pelo ministro da Saúde, José Angel Portal.

No mesmo período, mais de um milhão e meio de habitantes serão imunizados em Santiago de Cuba (sudeste), Isla de la Juventud (sudoeste) e Matanzas (oeste).

“Achamos que em junho teremos 22,6% da população imunizada, 33,5% em julho e 70% em agosto”, informou Portal à televisão cubana.

Com 11,2 milhões de habitantes, Cuba sofre há meses com um recrudescimento de casos de covid-19, mas continua registrando uma incidência menor do que seus vizinhos regionais, com 119.375 infecções e 768 mortes desde o início da pandemia, há mais de um ano.

Embora nervosos, a maioria dos moradores da capital chamados para serem vacinados nesta quarta-feira participou das 41 vacinações autorizadas, confiantes na eficácia do projeto Abdala.

Esta vacina candidata concluiu a terceira e última fase dos testes clínicos e está em processo de análise e avaliação desses resultados. Já o Soberana 2 deverá concluir sua terceira fase de teste  entre 15 e 18 de maio.

A Abdala é "uma vacina segura, embora (ainda) seja uma vacina candidata", disse Niurka María Viciedo, 77, aposentada das Forças Armadas. “Graças a Fidel, graças a Deus (...). Graças a ele temos cientistas e temos capacidade para os cientistas trabalharem”, acrescentou com entusiasmo.

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