julgamento el chapo
Internacional Defesa de 'El Chapo' diz que cartel subornou presidentes no México

Defesa de 'El Chapo' diz que cartel subornou presidentes no México

Advogados do traficante mexicano disseram que ele não é o verdadeiro chefe do cartel de Sinaloa, depois que a audiência atrasou por uma troca de jurados

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Policiais vigiam o prédio onde acontece o julgamento

Policiais vigiam o prédio onde acontece o julgamento

Mike Segar / Reuters / 13.11.2018

Na primeira audiência do julgamento do traficante mexicano Joaquín 'El Chapo' Guzmán, nesta terça-feira (13), em Nova York (EUA), os advogados de defesa fizeram uma acusação pesada: eles afirmaram que o cartel de Sinaloa subornou os dois últimos presidentes do México.

Segundo a defesa de Guzmán, o atual presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e seu antecessor, Felipe Calderón, teriam recebido "milhões de dólares em suborno" do cartel.

Eles também alegam que a organização criminosa jamais foi chefiada por Chapo, e sim por Ismael "Mayo" Zambada, dirigente que nunca foi preso pela polícia mexicana. Tanto Peña Nieto quanto Calderón negaram as acusações.

Atraso no julgamento

As afirmações dos advogados vieram na abertura do julgamento propriamente dito. A audiência atrasou algumas horas porque uma mulher que fazia parte do corpo de jurados pediu para deixar o tribunal por sofrer de "ansiedade", segundo a imprensa local.

Durante o período em que o julgamento ficou parado, a defesa pediu ao juiz federal Brian Cogan permissão para que a esposa do acusado, Emma Coronel Aspuro, pudesse abraçar o marido antes do início das alegações. Assim como fez na semana passada, Cogan novamente negou.

Depois que a jurada foi substituída, os advogados puderam começar a audiência. Durante a seleção do corpo de jurados, vários candidatos se retiraram do processo por medo.

Primeiras alegações

No início da audiência, um dos promotores, Adam Fels, disse que o próprio Guzmán iria contar sobre seus crimes "com suas próprias palavras". Ele afirmou que as mensagens de texto do traficante iriam dar a dimensão de suas atividades.

Fels também disse que Chapo começou sua trajetória no México, transportando maconha na década de 1970. Segundo ele, o que tornou o traficante o maior da região foi o uso de túneis para levar drogas por baixo da fronteira com os Estados Unidos.

Na resposta, a defesa de Guzmán disse que ele foi "incriminado" pelas testemunhas que estão cooperando com a acusação.

O advogado Jeffrey Lichtman, além de acusar os presidentes mexicanos, também ressaltou que o tráfico de drogas no país não cessou após a prisão de Chapo, em 2016, e que Mayo seria o verdadeiro chefão de Sinaloa, afirmando que "ele é quem decide quem a polícia e o Exército podem prender ou matar".

Guzmán é acusado de dezenas de crimes e de enviar, no total, mais de 150 toneladas de drogas aos EUA. Caso seja condenado, ele pode pegar prisão perpétua.