Defesa de suposto 'laranja' de Maduro vê irregularidade em prisão

Advogado de Álex Saab afirma que alerta vermelho emitido pela Interpol para prender o empresário ocorreu depois da detenção no dia 12

Defesa de suposto 'laranja' de Maduro alega irregularidade em prisão

Defesa de suposto 'laranja' de Maduro alega irregularidade em prisão

Manaure Quintero/Reuters - 12.3.2020

A defesa do colombiano Álex Saab, acusado de ser "laranja" do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, vê indícios de irregularidade processual na detenção do empresário em Cabo Verde.

Em Praia, capital do país africano, o advogado de Saab, José Manuel Pinto Monteiro, afirmou à Agência Efe que o alerta vermelho emitido pela Interpol, a pedido dos Estados Unidos, para prender o empresário ocorreu depois da detenção no dia 12.

"A detenção ocorreu em 12 de junho, e o alerta vermelho (ordem de captura internacional) foi emitido pela Interpol em 13 de junho, o que revela uma incongruência temporal para a qual estamos tentando encontrar uma explicação", comentou.

Antes de recorrer aos tribunais, advogado tenta averiguar se existe "outro mandado anterior ao momento da prisão" preventiva.

Possível erro processual

"Nosso recurso ainda não foi apresentado porque estamos esperando o esclarecimento da situação a respeito do mandado", disse o advogado. Na opinião da defesa, se não tiver existido outra ordem, trata-se de um erro processual que pode anular a detenção.

Este recurso precisaria ser levado ao Tribunal de Apelações na ilha de São Vicente, no norte do arquipélago, para onde Álex Saab foi transferido de avião nesta terça-feira (16), possivelmente para comparecer à corte no dia seguinte.

O suposto laranja de Maduro foi preso na noite da sexta-feira (12) passada no aeroporto internacional Amilcar Cabral, o mais importante de Cabo Verde, localizado na ilha de Sal, com um alerta vermelho da Interpol emitido a pedido dos EUA por supostos crimes de lavagem de dinheiro.

Saab, de 48 anos, viajava em um avião privado que solicitou autorização para aterrissar em Sal com o objetivo de reabastecer.

De acordo com a lei de Cabo Verde, os EUA têm 18 dias (a partir do domingo passado) para apresentar um pedido de extradição, detalhou na segunda-feira (15) o procurador-geral da República, José Landim.

"Cabo Verde não tem um acordo bilateral de extradição com os EUA, mas está vinculado às convenções das Nações Unidas que o obrigam a cumprir a solicitação, caso seja feita", afirmou o procurador-geral.

Suporta lavagem de US$ 350 milões

Embora tenha continuado a ser um homem de negócios discreto e pouco conhecido na Colômbia, o nome de Saab apareceu na mídia quando a ex-procuradora venezuelana Luisa Ortega o acusou, em 2017, de ser um dos "laranjas" de Maduro.

Saab, nascido na cidade de Barranquilla e de ascendência libanesa, está ligado a várias empresas, incluindo o Group Grand Limited (GGL), acusado de fornecer alimentos e provisões para os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP) do governo, com preços superfaturados para o regime de Maduro.

Em julho de 2019, um funcionário do governo americano afirmou que com os CLAPs, que são entregues aos mais pobres, o empresário colombiano e três enteados de Maduro teriam faturado "centenas de milhões de dólares".

Procuradora acusou Saab em 2017 de ser um dos 'laranjas' de Maduro

Procuradora acusou Saab em 2017 de ser um dos 'laranjas' de Maduro

Miguel Gutierrez / EFE - arquivo

Autoridades americanas também apresentaram acusações em julho do ano passado contra Saab e o seu braço direito, Alvaro Enrique Pulido, acusando-os de lavar até US$ 350 milhões, que supostamente fraudaram através do sistema de controle cambial da Venezuela.

De acordo com os EUA, entre novembro de 2011 e setembro de 2015, Saab e Pulido conspiraram com outros para lavar os lucros ilícitos e transferi-los da Venezuela para contas bancárias nos EUA, razão pela qual Washington tem jurisdição neste caso.

Por essa razão, Saab e Pulido têm um caso aberto de conspiração para lavar dinheiro desde 2019 nos tribunais federais do distrito sul da Flórida, e o juiz Robert N. Scola Jr declarou ambos foragidos da justiça em 26 de agosto do ano passado.

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