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Internacional Democratas mostram imagens inéditas da violência no Capitólio

Democratas mostram imagens inéditas da violência no Capitólio

Equipe de acusação afirma que Trump incentivou seus apoiadores a atacar o Congresso dos EUA e se regozijou com a violência

  • Internacional | Do R7, com AFP

Julgamento de Donald Trump no Senado entrou no segundo dia

Julgamento de Donald Trump no Senado entrou no segundo dia

US Senate TV / Reprodução via Reuters - 10.2.2021

A equipe de congressistas democratas que faz a acusação contra Donald Trump no segundo processo de impeachment do ex-presidente exibiu, nesta quarta-feira (10), imagens inéditas da invasão ao Capitólio no último dia 6 de janeiro, que mostram o desespero dos policiais que tentaram controlar a turba e o terror vivido pelos parlamentares.

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No segundo dia do julgamento, eles acusaram Trump de se regozijar com a violência cometida por seus apoiadores, argumentando que ela foi a culminação de meses de estratégia para desacreditar o processo eleitoral.

Depois de passar meses afirmando aos seus apoiadores que as eleições teriam sido fraudadas, Trump "renunciou ao seu papel de comandante-em-chefe e se converteu no incitador-em-chefe de uma perigosa insurreição", em 6 de janeiro, afirmou o democrata Jamie Raskin, líder da equipe de acusação no julgamento no Senado.

Os democratas precisam convencer 17 senadores republicanos de que o ex-presidente é culpado do crime de incitação à insurreição, para conseguirem a maioria necessária para condená-lo, algo que até o momento parece improvável.

Imagens de violência

Para persuadir os republicanos e o povo norte-americano que acompanha o processo, eles exibiram vídeos inéditos gravados pelas câmeras de segurança do Capitólio, que mostram o quão perto os invasores estiveram de chegar a onde estavam o então vice-presidente Mike Pence e membros do Congresso, a quem a turba ameaçava de morte e violência.

"Eles chegaram a menos de 30 metros de onde estava escondido o vice-presicente", disse Stacey Plaskett, que é delegada representante do território das Ilhas Virgens norte-americanas. Os acusadores também mostraram vídeos em que os manifestantes diziam que queriam matar o entáo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

Uma imagem até então inédita mostra um policial do Congresso que, sozinho, atraiu uma multidão de invasores para longe do plenário do Senado, permitindo que os parlamentares fossem retirados em segurança.

O congressista democrata Eric Swalwell pediu desculpas pelas imagens pesadas que foram exibidas para mostrar a magnitude da violência. "Parecia uma cena de uma batalha medieval", contou um policial no vídeo, que foi espancado pelos manifestantes e recebeu um choque com seu próprio taser, que acabou lhe causando uma parada cardíaca.

Um trecho mostrou membros do Congresso agachados, esperando ser evacuados, enquanto outros orientavam a tirar os broches que os identificam como parlamentares, para evitar que fossem alvos de novos ataques.

Muitas gravações ilustram como os policiais não tiveram como reagir. "Estão nos atacando com pedras, garrafas, mastros de bandeiras e pedaços de metal", gritou um oficial no rádio, pedindo reforços para tentar conter a multidão. Depois, outro agente constatou: "perdemos o controle".

Antes dos distúrbios, Trump se dirigiu aos seus seguidores, em um comício perto da Casa Branca, e disse a eles que as eleições foram "roubadas", além de incitar que eles "lutassem como o demônio". Poico depois, a multidão invadiu o Congresso para interromper o processo de certificação das eleições, nas quais Trump perdeu para Joe Biden.

Raskin afirmou que o ex-presidente "sabia o que iria acontecer e que não se surpreendeu nem um pouco com a violência", e que traiu seu juramento e suas funções.

"Ele ficou satisfeito com isso e não fez nada para nos ajudar como comandante-em-chefe", disse Raskin. No dia, Trump não acionou a Guarda Nacional nem nenhuma outra agência de segurança. Os reforços só vieram após um pedido de Mike Pence.

"Sem opções"

A apresentação das acusações por parte dos democratas vai levar pelo menos mais um dia, diferente do primeiro julgamento de impeachment contra Trump no ano passado, pelas acusações de abuso de poder, em um processo que durou três semanas.

O objetivo do processo é declarar Trump culpado, para depois retirar seus direitos políticos. O cenário, no entanto, parece improvável, já que apenas seis republicanos votaram na terça a favor da constitucionalidade do impeachment após a saída de Trump da presidência.

O parlamentar Ted Lieu, que expôs parte dos argumentos, indicou que a violência foi o resultado de meses em que Trump tentou tirar o crédito do processo eleitoral, o que incluiu várias ações na Justiça, todas indeferidas.

"Trump ficou sem opções não violentas para se manter no poder", afirmou ele.

Trump mantém seu silêncio

Para os advogados que representam Trump, o julgamento é um processo que vai "dividir" os EUA.

Trump — que se mudou para a Flórida após deixar a Casa Branca — não vai comparecer às audiências e tem se mantido em silêncio. Banido do Twitter e outras redes sociais, tem poucos meios para se expressar publicamente.

Além disso, é possível que seus advogados tenham pedido que ele se mantenha distante para evitar que alguns republicanos se voltem contra ele.

Trump é o primeiro presidente norte-americano a enfrentar dois julgamentos por impeachment e é o primeiro a responder ao processo após ter deixado a Casa Branca.

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