Internacional Depois de 11 de Setembro, EUA tiveram oito suicídios de pilotos em voos 

Depois de 11 de Setembro, EUA tiveram oito suicídios de pilotos em voos 

Relatório do Departamento de Transportes norte-americano foi divulgado em 2014 

  • Internacional | Do R7

Relatório do Departamento de Transportes dos Estados Unidos mostra que oito pilotos de avião se suicidaram durante voos nos Estados Unidos desde os atentados de 11 de setembro de 2001. O suicídio é uma das hipóteses levantadas pelos investigadores que procuram a motivação do copiloto Andreas Lubitz da Germanwings para ter causado a queda do avião que deixou 150 pessoas mortas na última terça-feira (24).  


Com base em gravações recuperadas da caixa-preta do voo 4U-9525, que decolou de Barcelona rumo a Düsseldorf, os investigadores apuraram que o copiloto iniciou a descida do avião quando ele estava sozinho na cabine de comando. Em seguida, não abriu a porta para o capitão, que havia saído.

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O capitão pode ser ouvido na gravação tentando voltar ao comando. Desde o 11 de Setembro, a legislação norte-americana obriga a presença de no mínimo dois tripulantes na cabine de comando das aeronaves.

O Relatório do Departamento de Transportes dos Estados Unidos traz detalhes sobre os oito casos de suicídio de pilotos. Entre eles, apenas um voo tinha outros passageiros. Em geral, no histórico dos pilotos, constava menções ao suicídio e alguns já haviam atentado contra a própria vida. Veja os casos.

Caso 1

Um piloto de 26 anos alugou um Cessna 172P e foi liberado para a decolagem. Na sequência, não tomou conhecimento de qualquer outra comunicação do controlador de tráfego aéreo e, assim que decolou, fez cerca de quatro giros em 360 graus para a esquerda. O avião, então, caiu em uma área arborizada, no fim da tarde. Antes do episódio, ele não apresentou nenhum sinal de anormalidade. Os exames toxicológicos também não encontraram nenhuma droga. O departamento local declarou suicídio, baseado nas manobras inapropriadas. 

Caso 2

Um piloto de 45 anos de idade partiu do aeroporto em um Piper PA-28-235. Logo após a decolagem, testemunhas observaram o avião voar em linha reta rumo ao chão, por volta das 7h40. O piloto tinha uma longa história de depressão. Ele havia sido hospitalizado duas vezes por problemas psiquiátricos. Três dias antes do acidente, ele foi hospitalizado devido a uma tentativa de suicídio. Um dia antes do acidente, foi liberado do hospital. O piloto não relatou qualquer um dos problemas psiquiátricos anteriores à FAA. Exame toxicológico revelou a presença de antidepressivos (citalopram e fluoxetina), difenidramina (um anti-histamínico sedativo), e etanol.

Caso 3

Um piloto de 69 anos, com uma história intermitente de problemas com álcool e ameaças de suicídio em aeronaves, foi visto consumindo bebidas alcoólicas em um restaurante na hora do almoço. Mais tarde, já de noite, decolou com o seu Beechcraft A36, e colidiu com a lateral de uma montanha, perto das 20h. Testemunhas relataram que o avião deu voltas em torno da montanha e depois se direcionou para o impacto. Exame toxicológico identificou etanol no cérebro e nos músculos.

Caso 4

Um piloto estava comemorando seu aniversário de 21 anos na casa de pessoas próximas. Durante sua festa, ele percebeu que a filha do casal anfitrião não aceitou namorá-lo. Chateado, saiu da festa para a cidade vizinha, onde viveu e trabalhou como instrutor de voo de helicóptero. Mesmo com o local fechado, conseguiu entrar em um helicóptero (Robinson R44) e voou de volta para a cidade em que a festa prosseguia. Ele chamou seus amigos e avisou que iria cometer suicídio. O helicóptero caiu em um campo aberto, por volta da meia-noite. Uma nota de suicídio foi encontrada no apartamento do piloto. Exame toxicológico identificou difenidramina e elevados níveis de etanol no sangue.

Caso 5

Um aluno de pilotagem, de 47 anos de idade, disputava a guarda de um filho menor depois de um divórcio recente. O aluno partiu do aeroporto, com o filho, em um Cessna 150. Depois de aproximadamente uma hora e meia, o avião parecia estar voltando para o aeroporto. De acordo com testemunhas, pouco antes do pouso, o avião entrou em um mergulho íngreme rumo ao chão, por volta das 10h30. A aeronave se chocou contra a casa da ex-sogra do piloto. Ele e o filho morreram. Exame não revelou drogas no sangue do piloto. De acordo com o regulamento da Agência Federal de Aviação americana, um aluno é proibido de comandar uma aeronave transportando passageiros. O evento foi tratado pela polícia do Estado como uma investigação de homicídio e suicídio.

Caso 6

Um piloto de 25 anos de idade estava perturbado com o recente rompimento com sua namorada. Certa manhã, parecendo embriagado, disse a ela que estava indo cometer suicídio em sua aeronave. Pouco tempo depois, tomou um Cessna P206 de seu local de trabalho. Na sequência de um voo prolongado (cerca de cinco horas), o piloto fez o avião cair, por volta das 10h. Testes toxicológicos revelaram citalopram, medicamento ansiolítico e etanol em seu sistema.

Caso 7

Um piloto de 53 anos de idade, estava envolvido em negócios e questões pessoais com o IRS (Internal Revenue Service) e outras agências governamentais. Irritado com o IRS, o piloto voou intencionalmente com um Piper PA-28-236, o lançando em um prédio de escritórios, por volta das 10h20, matando a si mesmo, um empregado no edifício e ferindo outros 13 funcionários. Uma nota informando o suicídio foi publicada na internet. Testes de toxicologia não revelaram drogas no sistema do piloto.

Caso 8

Um piloto de 48 anos de idade havia passado por dificuldades em sua vida pessoal e expressava pensamentos suicidas. Ele largou o comando de um Cessna 172B, que caiu no oceano Atlântico, por volta das 4h30. Uma nota de suicídio foi encontrada no interior do carro do piloto, que estava estacionado no hangar da aeronave. Parte da aeronave foi recuperada, mas os restos mortais do piloto não foram encontrados.

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