Internacional Dilma será aplaudida por outros países espionados pela NSA, diz jornal americano

Dilma será aplaudida por outros países espionados pela NSA, diz jornal americano

A presidente cancelou uma visita de Estado aos EUA, marcada para outubro

Jornal americano diz que espionagem "estragou" jantar de Dilma na Casa Branca

Reprodução/washingtonpost.com

A presidente Dilma Rousseff decidiu nesta terça-feira (17) adiar a visita oficial aos Estados Unidos, marcada para o dia 23 de outubro, em função das denúncias de que o governo americano espionou suas comunicações pessoais e a maior companhia de petróleo do País, a Petrobras.

A mídia norte-americana não deu grande destaque para a notícia, mas o jornal The Washington Post publicou uma matéria explicando o motivo do cancelamento da viagem com o título "Escândalo de espionagem da NSA estraga jantar na Casa Branca da presidente do Brasil".

O texto fala que a decisão de adiar o encontro foi tomada pelos dois presidentes, uma vez que a questão da espionagem ainda não foi esclarecida, e que a atitude de Dilma deverá ser aplaudida por países como Colômbia e México, que também tiveram ligações telefônicas interceptadas.

Saiba mais sobre a visita de gala oferecida pelos EUA

Brasil sai perdendo se Dilma cancelar viagem aos Estados Unidos em outubro, dizem especialistas

Na tarde de hoje, a Casa Branca informou que espera receber a presidente Dilma Rousseff em um futuro próximo, depois do cancelamento da visita de Estado em meio a denúncias de espionagem americana.

Em uma nota oficial, o governo dos Estados Unidos manifestou que uma futura visita de Estado de Dilma "não deverá ser ensombrecida por um simples assunto bilateral, por mais importante ou desafiante que seja".

Entenda o caso

Denúncias feitas com base em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden e publicados pela mídia brasileira revelaram que a agência norte-americana usou programas secretos de vigilância da internet para monitorar as comunicações no Brasil. Alegações recentes afirmam que as comunicações pessoais de Dilma e a Petrobras também foram alvo de espionagem dos EUA.

As denúncias enfureceram Dilma, que exigiu explicações de Obama quando ambos se encontraram durante a reunião do G20 neste mês na Rússia. As revelações também arranham os esforços de anos para melhorar as relações entre as duas maiores economias das Américas.

Dilma tomou a decisão de adiar a viagem para os EUA, marcada para 23 de outubro, depois de se reunir com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, que na semana passada viajou a Washington para discutir as denúncias de espionagem com a conselheira de Segurança Nacional de Obama, Susan Rice.

Autoridades norte-americanas afirmam que o monitoramento realizado pela NSA tem o objetivo de detectar atividades suspeitas de terroristas e não de bisbilhotar comunicações internacionais.

O governo brasileiro, no entanto, rejeitou o argumento de Washington de que os EUA buscam apenas reunir informações críticas para a segurança nacional dos EUA. O Brasil é uma democracia pacífica sem histórico de terrorismo internacional ou acesso a armas de destruição em massa.

A visita de Estado de Dilma era a única do tipo oferecida pelo governo Obama neste ano. A viagem tinha o objetivo de servir como plataforma para acordos nas áreas de exploração de petróleo e tecnologias de biocombustível, além da potencial compra pelo Brasil de caças de combate fabricados pela norte-americana Boeing.

Dilma tem viagem marcada para o fim deste mês aos EUA para participar da Assembleia-Geral da ONU em Nova York.