Diretor da OMS espera que EUA repensem decisão de deixar agência

Tedros Adhanom afirmou que está aberto a avaliações e que a saída norte-americana deixaria não vácuo não apenas financeiro, mas de liderança

Tedros Adhanom diz que EUA devem entender que coronavírus é "inimigo em comum"

Tedros Adhanom diz que EUA devem entender que coronavírus é "inimigo em comum"

Salvatore Di Nolfi / EFE - EPA - Arquivo

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou nesta quinta-feira (6) sua esperança de que os Estados Unidos reconsiderem sua decisão de deixar a agência, anunciada há um mês em meio à pandemia do novo coronavírus e que entrará em vigor em 6 de julho de 2021.

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"Esperamos que os Estados Unidos reconsiderem sua posição. Pode haver problemas na OMS ou no sistema das Nações Unidas e, se houver, estamos prontos para passar por uma reavaliação", disse Tedros, durante painel de discussão on-line no Fórum de Segurança de Aspen, nos EUA.

O chefe da OMS, que até agora vinha evitando comentar a possível saída de Washington da organização, garantiu que, se isso ocorresse, "o problema, mais que financeiro, teria a ver com o papel de líder dos Estados Unidos".

"Você não pode acabar com esse inimigo se não estivermos unidos", disse Ghebreyesus, referindo-se à pandemia da covid-19, garantindo que organizações multilaterais como a OMS servem apenas para apoiar os Estados, e "sempre foram os países, especialmente os maiores, que uniram os restantes".

Questão de apoio e liderança

Tedros acrescentou que os EUA "são conhecidos por sua generosidade, apoio e liderança na saúde pública global, que salvou muitas vidas", e recordou de seu tempo como ministro da Saúde da Etiópia, a grande contribuição americana para a luta contra o HIV no continente africano.

O diretor-geral acrescentou que, apesar do anúncio de sua saída dos EUA, sua agência continua mantendo comunicação com Washington: "Continuamos trabalhando juntos e esperamos que o relacionamento volte ao normal, que os laços sejam mais fortes do que nunca", concluiu.