Internacional Discurso de presidente na TV pode piorar crise de violência na Nigéria

Discurso de presidente na TV pode piorar crise de violência na Nigéria

Muhammadu Buhari pediu paz aos manifestantes, mas não condenou forças de segurança que mataram pessoas que protestavam pacificamente

  • Internacional | Do R7, com Reuters

Policial chuta barricada em Ikeja, perto de Lagos, na Nigéria

Policial chuta barricada em Ikeja, perto de Lagos, na Nigéria

Afolabi Sotunde / Reuters - 23.10.2020

O presidente da Nigéria, Muhammau Buhari, foi à TV na noite de quinta-feira (22), para teoricamente pedir o fim da violência no país. No entanto, ao condenar apenas os manifestantes e não condenar as forças de segurança que abriram fogo contra protestos pacíficos no início da semana, pode ter piorado a situação.

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Nesta sexta-feira (23), homens armados com facas e porretes bloquearam algumas das principais vias de Lagos, a maior cidade do país e que concentra a maior parte dos protestos. Muitos se mostravam furiosos com o discurso do presidente.

Os tumultos representam os piores episódios de violência nas ruas desde que a Nigéria voltou ao comando civil em 1999 e a mais grave crise política enfrentada por Buhari, um ex-líder militar que chegou ao poder em 2015.

Cenas de violência

Uma rodovia que leva para o aeroporto internacional foi obstruída por barricadas montadas por grupos de homens jovens que reivindicaram dinheiro de motoristas. Ônibus cujos motoristas se recusaram a pagar foram destruídos, de acordo com uma testemunha da Reuters.

No leste de Lagos, homens armados perseguiram policiais e várias delegacias foram completamente queimadas. Postos de combustíveis foram fechados e caixas eletrônicos não funcionavam em partes do país.

A violência na cidade, centro comercial da Nigéria de 20 milhões de habitantes, escalou desde a noite de terça-feira, quando um toque de recolher foi anunciado. Centenas de pessoas permaneciam em uma praça de pedágio em Lekki, quando soldados do Exército chegaram e começaram a atirar.

Tiros contra manifestantes

A Anistia Internacional disse que soldados e policiais mataram pelo menos 12 manifestantes em Lekki e Alausa, dois distritos de Lagos, na terça-feira. Na quinta, Anistia, Human Rights Watch e 40 outros grupos pediram "uma investigação ampla e imediata" sobre o incidente.

O Exército do país negou que soldados estivessem no local do tiroteio em Lekki, onde pessoas se reuniriam desafiando o toque de recolher. As câmeras de segurança da região foram desligadas pouco antes da ação, mas imagens gravadas por manifestantes mostram muitos soldados no local no momento dos tiros.

Em um pronunciamento à nação no final da quinta-feira, Buhari fez um apelo para que jovens "descontinuem seus protestos nas ruas e se envolvam construtivamente com o governo na busca por soluções".

Foi a primeira declaração pública dele desde o início dos tiroteios. Embora ele tenha lamentado as perdas de vidas inocentes, ele não se referiu diretamente ao incidente em Lekki. Muitos manifestantes nas ruas disseram ter ficado furiosos com o pronunciamento de Buhari, porque ele não mencionou o episódio em Lekki.

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